Em outubro de 1972, o bairro de Alvalade, em Lisboa, ganhou um novo e imponente marco: o monumento a Santo António. Embora menos conhecida que a estátua que seria abençoada pelo Papa uma década depois, esta obra é uma peça de destaque da arte pública lisboeta e possui uma história singular.
A sua inauguração não foi apenas um tributo ao santo padroeiro da cidade, mas também o resultado de uma visão artística que procurou celebrar a figura de Santo António como um pregador incansável e doutor da Igreja. A estátua marcou o espaço público de Alvalade e consolidou a presença do santo na vida quotidiana e religiosa de um dos bairros mais modernos de Lisboa.
O Concurso e a Escolha do Projeto
A iniciativa para a construção do monumento partiu da Câmara Municipal de Lisboa, que, em 1970, lançou um concurso público para a sua concretização. O objetivo era erigir uma homenagem digna a Santo António na Praça de Alvalade, que à data era ainda a Praça Frei Luís de Sousa.
O projeto vencedor foi o do escultor António Duarte e do arquiteto Carlos Antero Ferreira, que se distinguiram por uma abordagem diferente da iconografia tradicional do santo. A intenção era representar um “Santo António asceta, ativo e combativo; pregador e missionário; teólogo eloquente, doutor da Igreja“.
A Visão Artística do Monumento
A obra é uma notável representação da visão dos seus criadores. A estátua, com 5,5 metros de altura e em bronze, assenta sobre um pedestal formado por quatro blocos de mármore, elevando-se a um total de 12 metros.
Ao contrário da representação mais comum de Santo António com o Menino Jesus, esta estátua retrata-o em atitude de pregação, com um gesto eloquente que sublinha a sua dimensão de teólogo e missionário. Esta opção estética, que realça a sobriedade e a solidez, confere-lhe uma expressividade e um vigor marcantes, que se harmonizam com o espaço urbano e moderno do bairro de Alvalade.
A Solenidade da Inauguração
A inauguração do monumento ocorreu a 4 de outubro de 1972, numa cerimónia solene presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro. A ocasião foi de tal forma relevante que a praça, antes conhecida como Praça Frei Luís de Sousa, foi oficialmente rebatizada para Praça de Alvalade.
Após a bênção do monumento, foi descerrada uma placa de bronze no plinto que sustenta a estátua, onde se lê a inscrição “Santo António Padroeiro de Portugal – 1195/1231“, eternizando o tributo.
Conclusão: Um Santo Integrado na Vida Urbana
O monumento a Santo António na Praça de Alvalade é um exemplo de como a arte pública pode integrar a história religiosa na vida de uma cidade moderna. Ao invés de uma mera réplica de uma imagem tradicional, o projeto de António Duarte e Carlos Antero Ferreira ofereceu uma nova perspetiva sobre a figura de Santo António, celebrando a sua sabedoria e o seu papel como pregador.
Hoje, a estátua continua a ser um ponto de referência para os habitantes de Alvalade e um testemunho da riqueza da história religiosa e artística de Lisboa, coexistindo com a imagem mais tradicional do santo no Largo da Sé.
