Durante séculos, São Pantaleão — médico e mártir cristão do século III — ocupou um lugar de destaque na devoção da cidade do Porto, sendo reconhecido como seu padroeiro. Ele foi reconhecido como padroeiro da cidade em 1453, após a chegada das relíquias, um título que deteve durante cerca de 500 anos, até ser substituído por Nossa Senhora de Vandoma em 1984.
A história da devoção e da entronização
A devoção a São Pantaleão no Porto remonta ao século XV, quando um grupo de cristãos arménios, fugindo da queda de Constantinopla (1453), trouxe relíquias do santo para a igreja de Miragaia, no Porto.
A data em que São Pantaleão se tornou padroeiro do Porto está associada à chegada das suas relíquias à cidade, o que, segundo várias fontes históricas, ocorreu a 27 de julho de 1453. A cidade aclamou-o como seu novo orago principal nessa altura.
Em 1499, por ordem do bispo D. Diogo de Sousa, as relíquias foram transladadas para a Sé Catedral do Porto, para o seu sepulcro. Desde então, São Pantaleão passou a ser mais amplamente venerado como padroeiro da cidade — especialmente pelos médicos e profissionais da saúde, dada a sua condição de mártir e santo médico.
Nos séculos seguintes, a sua festa e culto gozaram de grande vigour no Porto, com procissões e devoções populares que o mantinham como figura central da proteção da cidade.
Mudança de padroado e atualidade
Com o passar do tempo, a devoção institucional sofreu alterações. Segundo registos, a cidade do Porto deixou de ter São Pantaleão como seu padroeiro principal e passou a invocar oficialmente outra figura mariana. Alguns textos apontam que a transição para Nossa Senhora de Vandoma como padroeira marcou o fim do predominado de São Pantaleão.
Hoje, São Pantaleão é considerado padroeiro secundário da cidade do Porto, enquanto a padroeira principal é Nossa Senhora de Vandoma, oficialmente reconhecida desde 1984.
Razões para a escolha de São Pantaleão
As razões por que São Pantaleão foi escolhido como padroeiro da cidade do Porto são múltiplas:
- A chegada das suas relíquias, conferindo-lhe prestígio espiritual e devocional local.
- A sua vocação de médico gratuito, refletindo um ideal de caridade e serviço que encontrava ecos entre os portuenses.
- A necessidade da cidade, na Idade Média, de ter um santo protetor formalmente associado ao seu burgo e identidade espiritual.
- A coincidência da devoção eclesiástica com manifestações populares que reconheceram nele “um santo da cidade”.
Conclusão
São Pantaleão continua a ocupar — mesmo que hoje como padroeiro secundário — um lugar importante na memória devocional do Porto. A sua história lembra-nos que a santidade não é apenas venerada em alto, mas se entrelaça com a vida comunitária, com o serviço ao próximo e com a identidade de um povo.
A mudança para Nossa Senhora de Vandoma como padroeira reflete as dinâmicas históricas e eclesiásticas que adaptam os ritos e patronatos, mas não diminui o valor daquele antigo devoção que habitou o coração da Invicta — e que, ainda hoje, inspira aqueles que lembram São Pantaleão como “médico dos pobres e protetor da cidade”.
