Sabias que… o Papa João Paulo I foi o primeiro a usar um nome duplo?

Na história do papado, o dia 26 de agosto de 1978 ficou gravado como o momento em que um homem de sorriso fácil mudou uma regra de nomenclatura que durava há quase dois milénios. Ao ser eleito sucessor de Paulo VI, o cardeal Albino Luciani não escolheu apenas um nome; escolheu dois. Tornou-se João Paulo I, o primeiro Papa na história da Igreja a adotar um nome composto.

A Rutura com o Passado

Até aquele conclave, a tradição era absoluta: cada Papa escolhia um único nome (como Pio, Bento ou Leão) para indicar a sua linha teológica ou homenagear um antecessor. Ao unir os nomes dos seus dois predecessores imediatos — João XXIII e Paulo VI — Luciani realizou um gesto revolucionário.

Como ele próprio explicou na sua primeira audiência, a escolha foi um tributo:

  • João XXIII, que o tinha nomeado bispo;
  • Paulo VI, que o tinha criado cardeal.

Ao fundir os dois nomes, João Paulo I sinalizou que o seu pontificado seria uma síntese da bondade pastoral de João e da profundidade intelectual de Paulo, mantendo vivo o espírito renovador do Concílio Vaticano II.

O Numeral Inédito: O “I” de João Paulo I

Outra curiosidade que escapa a muitos é que João Paulo I foi o primeiro Papa a incluir oficialmente o numeral “I” (Primeiro) no seu nome logo no momento da eleição. Habitualmente, os Papas não usam o numeral até que surja um sucessor com o mesmo nome (como aconteceu com Francisco, que não se chama oficialmente Francisco I). Luciani, contudo, fez questão de o usar, reforçando a novidade da sua escolha.

Um Legado de Sorrisos e Simplicidade

Embora o seu pontificado tenha durado apenas 33 dias — um dos mais curtos da história —, João Paulo I deixou marcas que perduram até hoje. Ele foi o primeiro a recusar a coroação com a tiara papal (a coroa tripla) e a cadeira gestatória, optando por uma cerimónia de inauguração muito mais humilde.

Esta quebra de protocolo abriu caminho para a eleição do seu sucessor, Karol Wojtyła, que escolheu o nome de João Paulo II em sua homenagem, consolidando o nome duplo como um dos mais icónicos da era moderna.

Recentemente, a sua beatificação pelo Papa Francisco (em 2022) renovou o interesse por este “Papa do Sorriso” que, com um simples nome composto, mostrou que a Igreja pode honrar a sua herança enquanto abraça a inovação.

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