Sabias que… o Papa João Paulo II foi o primeiro Papa a entrar numa Mesquita e numa Sinagoga?

Karol Wojtyła, o Papa João Paulo II, ficou conhecido como o “Atleta de Deus” pelas suas centenas de viagens, mas foram os seus curtos trajetos a pé — para entrar em locais de culto de outras religiões — que mudaram o curso do diálogo inter-religioso. Ele não se limitou a falar de paz; ele atravessou as portas que o separavam de judeus e muçulmanos, quebrando tabus que duravam há quase dois mil anos.

13 de Abril de 1986: O Abraço aos “Irmãos Mais Velhos”

O primeiro grande marco ocorreu em Roma. João Paulo II tornou-se o primeiro Papa, desde os tempos de São Pedro, a visitar oficialmente uma Sinagoga. Ao entrar no Templo Maior de Roma, foi recebido pelo Rabino Elio Toaff.

Foi neste encontro histórico que o Papa proferiu uma das suas frases mais célebres, referindo-se aos judeus como os “nossos irmãos prediletos e, de certo modo, poder-se-ia dizer, os nossos irmãos mais velhos”. Este gesto foi o golpe final em séculos de antissemitismo e desconfiança mútua. Vatican News

6 de Maio de 2001: Um Gesto de Paz em Damasco

Quinze anos mais tarde, durante uma peregrinação seguindo os passos de São Paulo, João Paulo II voltou a fazer história ao tornar-se o primeiro Pontífice a entrar e rezar numa Mesquita. O local escolhido foi a Mesquita dos Omíadas, em Damasco, na Síria.

Num gesto de profundo respeito pela tradição islâmica, o Papa descalçou os sapatos à entrada. No interior, parou diante do túmulo que, segundo a tradição, guarda as relíquias de João Batista (venerado por ambas as religiões). Ali, apelou a que o nome de Deus nunca fosse utilizado para justificar o ódio ou a violência.

O Impacto em Janeiro de 2026

Estas visitas são vistas como o fundamento da diplomacia vaticana moderna. O que em 1986 parecia escandaloso para os setores mais conservadores, hoje em dia é a norma: os Papas são esperados como pontífices — construtores de pontes — entre todas as fés. João Paulo II provou que a identidade católica não se perde no diálogo, mas fortalece-se no encontro com o outro.

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