Oitocentos anos após a sua “Irmã Morte” o ter levado ao encontro do Criador, o mundo parou para contemplar o que resta da passagem terrena de um dos homens mais amados da história. A exposição pública dos restos mortais de São Francisco de Assis, ocorrida na Basílica Inferior, em Assis, não foi apenas um evento litúrgico; foi um fenómeno de fé que ficará gravado na memória da Igreja do século XXI. Em celebração ao oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis (1226–2026), os seus restos mortais foram expostos à veneração pública de forma inédita.
A Exposição
Desde que o corpo de Francisco foi escondido profundamente sob o altar da Basílica no século XIII — para evitar que fosse roubado ou profanado durante as guerras medievais —, o seu túmulo permaneceu envolto em mistério.
Pela primeira vez em quase oito séculos, o esqueleto do “Pobrezinho de Assis” foi retirado da sua cripta habitual para uma exibição pública prolongada. Embora o túmulo tenha sido aberto para exames científicos no passado (como em 1978), nunca tinha sido permitida uma veneração direta e visível desta magnitude ao grande público.
A visitação ocorreu de 22 de fevereiro a 22 de março de 2026 na Basílica de São Francisco, em Assis, Itália. Os restos mortais foram transferidos da cripta para o altar da Basílica Inferior.
O corpo foi acondicionado numa urna de acrílico transparente, preenchida com nitrogénio para garantir a conservação dos ossos. Foi possível identificar a inscrição em latim “Corpus Sancti Francisci”.
A urna de cristal, colocada no coração da Basílica de São Francisco, revelou um esqueleto frágil e de pequena estatura. Para os milhares de peregrinos que ali passaram, aqueles ossos não eram apenas relíquias arqueológicas, mas o testemunho físico de uma vida consumida pelo amor a Deus e à Criação.
Um Rio de Gente em Direção a Assis
Esta iniciativa fez parte do Jubileu Franciscano, que recordou o legado de paz, humildade e amor à criação de Francisco. A procura foi extraordinária com mais de 150 mil pessoas a se terem inscrito antecipadamente para a visita, cuja entrada foi gratuita. No primeiro dia, registaram-se cerca de 1,5 mil visitas por hora.
O que mais impressionou os observadores foi o clima de recolhimento. Ao contrário de outros grandes eventos mediáticos, a passagem diante do corpo de Francisco foi marcada por uma profunda simplicidade, honrando o espírito do Poverello. Muitos relataram uma sensação de “paz invencível” ao contemplar os restos mortais do santo que recebeu as chagas de Cristo no Monte Alverne.
A Ciência ao Serviço da Fé
A exposição permitiu também recordar os estudos científicos realizados anteriormente. Os exames confirmaram que aqueles ossos pertenciam a um homem que sofreu de desnutrição severa, problemas hepáticos e uma grave infeção oftalmológica — detalhes que coincidem precisamente com os relatos biográficos de Tomás de Celano. A fragilidade física de Francisco, visível na urna, serviu de contraste poderoso com a força espiritual que ainda hoje emana do seu legado.
Conclusão
A passagem dos 800 anos da morte de São Francisco e a visão direta dos seus restos mortais serviram como um “choque de realidade” espiritual. Num mundo marcado pelo consumo e pela pressa, a fragilidade daqueles ossos recordou-nos a perenidade do essencial. Francisco de Assis, mesmo em silêncio absoluto após oito séculos, continua a pregar a lição mais importante: que só na humildade e no despojamento é que o homem encontra a sua verdadeira liberdade.
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