Neste dia, em 2004, o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro recebia uma Rosa de Ouro oferecida pelo Papa João Paulo II

A 8 de dezembro de 2004, o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, localizado no alto do Monte Sameiro, nos arredores de Braga, foi palco de um momento histórico e de profunda significado espiritual. Naquela data, por ocasião do centenário da coroação da imagem de Nossa Senhora da Conceição do Sameiro, o santuário recebeu a “Rosa de Ouro“, uma honra pontifícia de grande prestígio, atribuída pelo Papa João Paulo II.

O Significado da Rosa de Ouro

Rosa de Ouro é uma antiga e distinta honraria papal, cujas raízes remontam à Idade Média. Consiste numa rosa trabalhada em ouro puro, simbolizando a Cristo ressuscitado, a fragrância da virtude de Maria e o mistério da alegria cristã. É oferecida pelo Papa a indivíduos, igrejas, santuários ou cidades em reconhecimento de serviços excecionais prestados à Igreja ou como um sinal especial de benevolência pontifícia. Receber a Rosa de Ouro é uma marca de grande apreço e um reconhecimento da importância espiritual do local agraciado.

Para o Santuário do Sameiro, a atribuição deste galardão por João Paulo II foi um reconhecimento do seu papel central na vida religiosa de Portugal. O santuário, que é o segundo maior centro de devoção mariana no país, a seguir a Fátima, nasceu como uma expressão do regozijo popular português pela proclamação do dogma da Imaculada Conceição em 1854. A Rosa de Ouro, portanto, simboliza a aprovação e a bênção da Igreja Universal à fé inabalável do povo português na Imaculada Conceição de Maria.

O Contexto Histórico: O Centenário da Coroação

A atribuição da Rosa de Ouro inseriu-se nas celebrações do centenário da coroação da imagem de Nossa Senhora do Sameiro. A história do santuário começa a 14 de junho de 1863, quando o Padre Martinho António Pereira da Silva, vigário de Braga, iniciou a construção de um monumento em honra da Imaculada Conceição. A devoção rapidamente cresceu e, em 1869, foi inaugurado o primeiro monumento, uma coluna com uma estátua da Virgem.

O culminar desta crescente devoção foi a coroação solene da imagem de Nossa Senhora, um evento de grande magnitude ocorrido no início do século XX. O centenário desta coroação, em 2004, foi assinalado com um programa vasto de celebrações, cujo ponto alto foi a missa de 8 de dezembro, presidida pelo Cardeal Eugénio de Araújo Sales, Legado de Sua Santidade o Papa João Paulo II.

A escolha do dia 8 de dezembro não foi arbitrária: é o dia da Solenidade da Imaculada Conceição, uma data de particular significado para o santuário, cuja existência está intrinsecamente ligada a este dogma mariano.

A Cerimónia Solene de Entrega

A manhã de 8 de dezembro de 2004 foi marcada por uma afluência massiva de fiéis. Cerca de cinquenta mil pessoas, vindas de diversas partes de Portugal, encheram a vasta explanada e a basílica do Sameiro para testemunhar a entrega da honraria papal. A cerimónia foi um momento de grande emoção e fé, unindo o povo, o clero e a hierarquia da Igreja.

O Cardeal Eugénio de Araújo Sales, na qualidade de representante pessoal do Papa, presidiu à Eucaristia solene. No final da celebração, num gesto carregado de simbolismo, o Cardeal entregou a Rosa de Ouro ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Eurico Nogueira, para que esta fosse colocada em lugar de destaque junto do altar da basílica.

A presença do Legado Papal sublinhou a importância que o próprio João Paulo II atribuía ao santuário. Numa mensagem lida durante a cerimónia, o Papa enalteceu o Sameiro como um local de “assinalado lugar” entre os templos sagrados em Portugal e expressou a sua “grande afeição de espírito” ao atribuir o galardão. A Rosa de Ouro, assim, tornou-se um sinal perene da benevolência papal e um elo direto entre a comunidade local e o centro da catolicidade em Roma.

O Legado de João Paulo II no Sameiro

A ligação de João Paulo II ao Santuário do Sameiro não se resume apenas à Rosa de Ouro de 2004. O Papa peregrino já havia visitado o santuário a 15 de maio de 1982, durante a sua primeira viagem pastoral a Portugal, cerca de quatro anos após o início do seu pontificado.

Naquela visita, apesar do nevoeiro que cobria o monte na parte da tarde, milhares de pessoas aguardavam a sua passagem. O Papa entrou no templo, orou diante da imagem da Virgem e ofereceu um ramo de flores. Mais tarde, presidiu à Eucaristia e abençoou a multidão, deixando uma mensagem que ressoou nos corações dos presentes. Desta visita, o Papa deixou como recordação um solidéu e, segundo algumas fontes, uma primeira Rosa de Ouro, que se juntariam à relíquia de uma gota do seu sangue, hoje guardada num nicho dentro da basílica.

A Rosa de Ouro de 2004 solidificou ainda mais este vínculo. Ela recorda o apreço de um Papa que tinha uma devoção mariana profunda – expressa no seu lema “Totus Tuus” (Todo Teu) – por um santuário que é um pilar da fé mariana em Portugal.

O Santuário Hoje: Um Farol de Fé

Mais de duas décadas após a atribuição da Rosa de Ouro, o Santuário do Sameiro continua a ser um farol de fé e um dos destinos religiosos mais procurados do país. A basílica, com a sua arquitetura neoclássica e a cúpula visitável que oferece uma vista panorâmica de 360º sobre a região de Braga, atrai anualmente milhares de peregrinos e turistas.

A Rosa de Ouro, exposta em local de honra, é um lembrete constante da importância do santuário aos olhos da Igreja universal e da bênção papal. O santuário, que tem crescido ao longo das décadas com a construção da cripta e outras infraestruturas para acolher os peregrinos, mantém viva a devoção à Imaculada Conceição, a razão da sua existência.

Conclusão

A história da Rosa de Ouro do Sameiro é, em suma, a história da fé de um povo que, através da intercessão de Maria, encontra a sua força e a sua esperança. É um capítulo notável na história da Igreja em Portugal, um momento em que Braga e o seu santuário mariano se viram honrados com uma das mais antigas e belas tradições do papado. A rosa dourada brilha no Sameiro como um símbolo de amor, dedicação e da perene presença de Maria na vida dos fiéis.

Este galardão, um dos mais altos gestos de benevolência do Sumo Pontífice para com santuários marianos de excecional importância, permanece até hoje como um testemunho tangível da “excelência deste Santuário” e da profunda ligação entre a Santa Sé e a devoção portuguesa a Maria Imaculada.

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