Neste dia, em 1982, era montado pela primeira vez a Árvore de Natal e Presépio na Praça de São Pedro

A Praça de São Pedro, o coração pulsante do Catolicismo, transforma-se anualmente num dos cenários natalícios mais emblemáticos do mundo. A montagem de uma monumental árvore de Natal e de um presépio em tamanho real atrai peregrinos e turistas, marcando o início oficial da quadra festiva no Vaticano. Esta tradição, embora pareça antiga, é relativamente recente, mas está repleta de história, simbolismo e curiosidades.

O Início de Uma Nova Tradição (1982)

A tradição de ter uma árvore de Natal e um presépio monumentais na Praça de São Pedro começou no mesmo ano, por iniciativa do Papa São João Paulo II.

Até dezembro de 1982, o presépio papal era montado nas salas privadas ou capelas do Palácio Apostólico, e as árvores de Natal eram vistas como uma tradição mais nórdica e, de certa forma, “estranha” à cultura italiana. João Paulo II quis trazer estes símbolos para o espaço público, para que a mensagem do Natal pudesse ser partilhada com todos, independentemente da sua origem.

A primeira árvore, um abeto imponente, foi um presente da Alemanha. No mesmo ano, foi instalado o primeiro presépio monumental, dando início a uma tradição que se repetiria anualmente.

A Tradição da Oferta das Árvores

Desde 1982, a árvore de Natal do Vaticano é um presente oferecido por diferentes regiões ou países, principalmente da Europa. Esta prática simboliza a universalidade da Igreja e a partilha da fé entre as nações.

  • A árvore é geralmente um abeto ou pinheiro de grande porte, que varia em altura (frequentemente entre 20 a 30 metros de altura).
  • A escolha da árvore é um processo cuidadoso, e os países ou regiões doadores encarregam-se do corte, transporte e montagem no Vaticano.
  • Em troca da árvore, o Papa envia uma oferta ou um presente simbólico à comunidade doadora.

O Presépio e as Suas Figuras

O presépio da Praça de São Pedro também tem uma história interessante. As figuras em tamanho natural que o compõem têm uma origem histórica que remonta a muito antes da tradição na praça:

  • 1842: As figuras originais do presépio (que foram usadas nos primeiros anos na praça) foram criadas em 1842 pelo padre São Vicente Pallotti. Elas faziam parte do presépio da igreja de Sant’Andrea della Valle, em Roma. Estas figuras, feitas de madeira, gesso e tela, são valiosas peças de arte.
  • A “Rotatividade” dos Presépios: Atualmente, o presépio é frequentemente oferecido por uma diocese ou região diferente a cada ano (como em 2020, quando o presépio futurista de cerâmica de Castelli gerou polémica). Esta rotatividade garante que o presépio seja uma expressão viva e diversa da arte e da fé de diferentes comunidades católicas.

Controvérsias e Curiosidades

A tradição não está isenta de controvérsias e curiosidades:

  • O Abate da Árvore: A questão ambiental é frequentemente levantada. Ativistas questionam o abate de árvores centenárias para um uso temporário. O Vaticano e os doadores defendem que as árvores são provenientes de plantações sustentáveis, muitas vezes destinadas a corte, ou que a sua remoção é parte de uma gestão florestal necessária, e que a madeira é posteriormente utilizada para fins benéficos (como mobiliário ou brinquedos para caridade).
  • O Que Acontece Depois?: Após o período festivo (normalmente no início de janeiro, após o Batismo do Senhor), a árvore é desmontada. A madeira é doada para projetos de caridade, como a criação de brinquedos, mobiliário ou materiais de construção para os necessitados, garantindo que o seu propósito transcenda a exibição temporária.
  • Iluminação LED: O Vaticano tem adotado práticas mais sustentáveis, utilizando iluminação LED de baixo consumo energético para iluminar a árvore.

Conclusão

A árvore de Natal e o presépio na Praça de São Pedro, tradições iniciadas pelo Papa João Paulo II em dezembro de 1982, tornaram-se símbolos centrais do Natal católico. Unindo a generosidade de nações que oferecem a árvore, a história das figuras do presépio de 1842 e a mensagem universal de paz, estes monumentos transformam o coração do Vaticano num farol de esperança. Apesar das ocasionais controvérsias, a tradição perdura, lembrando a todos a beleza da Criação e a simplicidade do nascimento de Jesus Cristo.

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