A coroação da Madonna della Febbre (Nossa Senhora da Febre) a 27 de maio de 1631 marca um divisor de águas na história da iconografia e da devoção católica. Foi neste dia que o Papa Urbano VIII, através do Reverendo Capítulo do Vaticano, deu início a uma tradição que se espalharia por todo o mundo: a Coroação Pontifícia.
A Origem da “Madonna da Febre”
A pintura, uma obra-prima de Lippo Memmi (mestre da escola de Siena do século XIV), nem sempre esteve na sacristia. Originalmente, encontrava-se numa pequena capela próxima à antiga Basílica de Constantino. O nome “Della Febbre” (da Febre) surgiu da profunda devoção popular: durante séculos, os romanos recorriam a esta imagem para pedir a cura de doenças e pestes, especialmente as febres que assolavam a cidade.
O Gesto Histórico de Urbano VIII
Embora o costume de adornar imagens com coroas fosse antigo e espontâneo, o ato de 1631 institucionalizou o reconhecimento da Igreja. Urbano VIII, um grande patrono das artes e da liturgia, decidiu que o Capítulo de São Pedro deveria coroar solenemente as imagens marianas de especial antiguidade e veneração.
A Madonna della Febbre teve a honra de ser a primeira da história a receber este reconhecimento oficial do sucessor de Pedro. O gesto simbolizava que aquela imagem não era apenas uma peça de arte, mas um trono de intercessão reconhecido pela autoridade máxima da Igreja.
O Legado das Coroações
Este evento de 1631 abriu as portas para que outras imagens famosas — como a Virgem de Guadalupe ou a de Fátima — fossem mais tarde coroadas em nome do Papa. A coroa de ouro colocada sobre a pintura de Lippo Memmi não era apenas um ornamento, mas uma afirmação do reinado de Maria sobre os males físicos (a febre) e espirituais.
A Oração Diante da Imagem Coroada
Embora não exista uma fórmula litúrgica única de 1631, a devoção a esta imagem é tradicionalmente acompanhada por este pedido de saúde:
“Ó Maria, Saúde dos Enfermos, que sob o título de Senhora da Febre fostes coroada como nossa Rainha, olhai para as nossas fragilidades. Protegei os nossos corpos da doença e as nossas almas do pecado, e conduzi-nos à saúde eterna do vosso Filho. Ámen.”
Conclusão
Atualmente, a imagem reside na Sacristia da Basílica de São Pedro, onde continua a ser um testemunho silencioso do primeiro “sim” oficial de um Papa à coroação de uma imagem da Virgem.
