O Credo da Igreja Católica, também conhecido como Profissão de Fé, é uma oração que resume as principais verdades da fé cristã. É uma formulação concisa dos mistérios centrais da doutrina católica, proclamada na liturgia, especialmente durante a Missa, e usada pelos católicos para reafirmar a fé.
Existem dois Credos principais na Igreja Católica: o Credo dos Apóstolos e o Credo Niceno-Constantinopolitano.
Credo dos Apóstolos
O Credo dos Apóstolos é a versão mais curta e mais antiga, associada aos próprios apóstolos e usada tradicionalmente no Baptismo e nas devoções diárias. Ele expressa de forma simples os pilares essenciais da fé cristã e é organizado em torno da crença na Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
O nome do Credo origina-se antes da quinta década d.c., de que por inspiração do Espírito Santo, após o Pentecostes, cada um dos Doze Apóstolos ditou uma parte do credo. Ele é tradicionalmente dividido em doze artigos:
- Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra;
- E em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor,
- Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem;
- Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
- Desceu ao reino dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia;
- Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
- De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
- Creio no Espírito Santo,
- Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos,
- Na remissão dos pecados,
- Na ressurreição da carne,
- Na vida eterna.
Ámen
Os principais pontos abordados no Credo dos Apóstolos incluem:
- A crença em Deus Pai: Criador do céu e da terra.
- Jesus Cristo: Seu Filho único, concebido pelo Espírito Santo, nascido da Virgem Maria, sofrendo sob Pôncio Pilatos, morto, sepultado, ressuscitado, e a promessa da sua segunda vinda para julgar os vivos e os mortos.
- O Espírito Santo: A Igreja, a comunhão dos santos, o perdão dos pecados, a ressurreição da carne e a vida eterna.
Credo Niceno-Constantinopolitano
O Credo Niceno-Constantinopolitano é o mais longo e desenvolvido, formulado no Concílio de Niceia (325) e confirmado no Concílio de Constantinopla (381). Ele foi criado para combater heresias, especialmente o Arianismo, que negava a divindade de Cristo. Este Credo é recitado durante a Missa dominical e em festas litúrgicas importantes.
Diferente do Credo dos Apóstolos, ele detalha mais profundamente as naturezas divina e humana de Jesus Cristo e a relação entre as três Pessoas da Santíssima Trindade. Afirma a eternidade de Jesus Cristo, a sua consubstancialidade com o Pai (“Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus”), e a sua encarnação, morte e ressurreição.
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria.
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja,
Una, Santa, Católica e Apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e a vida do mundo que há-de vir.
Ámen
Significado doutrinal e histórico
O Credo é uma expressão de unidade na fé cristã. O propósito é condensar os principais mistérios e verdades da Igreja Católica, defendendo-os contra erros doutrinários ao longo dos séculos. Além disso, representa um vínculo de comunhão entre todos os católicos, uma vez que é o mesmo Credo recitado em todas as partes do mundo, independentemente de língua ou cultura.
A função do Credo na liturgia e vida cristã
O Credo é proclamado pelos católicos durante a Missa, logo após a homilia, como uma reafirmação da fé. Recitá-lo em conjunto simboliza a união da comunidade à volta das verdades da fé. Além disso, o Credo é uma oração que marca momentos importantes da vida sacramental, como o Batismo, a Confirmação e a Liturgia das Horas. No Batismo, por exemplo, os catecúmenos (ou os padrinhos, em caso de crianças) professam a fé contida no Credo, comprometendo-se a viver de acordo com esses princípios.
Diferenças entre o credo dos apóstolos e o Niceno-Constantinopolitano
Embora ambos os Credos partilhem os mesmos princípios fundamentais da fé, existem algumas diferenças notáveis:
- Extensão: O Credo Niceno-Constantinopolitano é mais longo e mais explícito em relação à Trindade, especialmente à divindade de Jesus Cristo e ao Espírito Santo.
- Propósito: O Credo dos Apóstolos é mais prático e utilizado para a catequese básica, enquanto o Credo Niceno-Constantinopolitano foi desenvolvido para defender a ortodoxia teológica contra heresias.
- Uso Litúrgico: O Credo dos Apóstolos é usado em devocionais e no Batismo, enquanto o Niceno-Constantinopolitano é recitado nas Missas e festas litúrgicas.
Conclusão
O Credo é a espinha dorsal da fé católica, contendo em poucas palavras os mistérios centrais que definem a crença na Trindade, na encarnação de Cristo, e na Igreja. Recitá-lo é uma expressão de adesão à fé e um ato de comunhão com toda a Igreja. Seja na versão curta do Credo dos Apóstolos ou na mais extensa e teologicamente elaborada do Credo Niceno-Constantinopolitano, o seu recitar contínuo na liturgia e na vida quotidiana dos católicos mantém viva a tradição de professar as verdades fundamentais da fé cristã.
