A imagem original de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições no Santuário de Fátima, raramente abandona o seu lugar de culto. Contudo, em momentos de especial relevância espiritual e eclesial, esta preciosa imagem é levada em peregrinação. Um desses acontecimentos marcantes teve lugar a 12 de novembro de 2005, quando a cidade de Lisboa se consagrou a Nossa Senhora de Fátima, num dos atos centrais do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, que decorreu na capital portuguesa de 5 a 13 de novembro desse ano.
Contexto: a Nova Evangelização e o significado do congresso
O Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE) foi uma grande iniciativa pastoral promovida por várias dioceses europeias, com o objetivo de revitalizar a fé cristã nas grandes cidades do continente. Lisboa foi a quarta cidade a acolher este congresso, depois de Viena (2003), Paris (2004) e Bruxelas (2005).
O evento contou com a presença de bispos, sacerdotes, religiosos e milhares de leigos, reunidos para refletir e agir sobre a urgência de anunciar Cristo num mundo em rápida transformação cultural e espiritual. A cidade de Lisboa, com a sua rica tradição cristã, foi escolhida como símbolo de fé viva e de esperança renovada.
A vinda da imagem original de Fátima a Lisboa
No dia 12 de novembro de 2005, a imagem original de Nossa Senhora de Fátima foi trazida especialmente do Santuário até Lisboa, numa ocasião de grande solenidade e emoção. O momento constituiu a segunda saída da imagem para a capital, mais de sessenta anos após a primeira, que ocorrera em abril de 1942.
A imagem foi recebida com profunda veneração pelos fiéis, que encheram as ruas e igrejas da cidade. Naquela noite, teve lugar uma procissão luminosa e uma solene celebração presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, durante a qual foi feita a consagração oficial da cidade de Lisboa a Nossa Senhora de Fátima.
O ato de consagração e o seu significado
O momento central da jornada foi o ato de consagração da cidade, um gesto simbólico e espiritual de entrega da capital portuguesa ao cuidado maternal da Virgem Maria. Na oração de consagração, o Patriarca de Lisboa confiou a Nossa Senhora as famílias, os jovens, os doentes e os mais pobres, pedindo a sua intercessão para que Lisboa permanecesse “cidade de fé e de esperança, iluminada pela luz de Cristo”.
A consagração foi também uma resposta espiritual ao apelo da Nova Evangelização, reafirmando que Maria é modelo e guia para todos aqueles que desejam levar Cristo ao mundo moderno.
Participação e ambiente de fé
O evento reuniu milhares de fiéis vindos de várias paróquias da diocese e peregrinos de todo o país. A Praça do Comércio e as principais artérias da cidade encheram-se de velas e cânticos marianos, num ambiente de oração e emoção profunda.
A presença da imagem original da Capelinha das Aparições — aquela que fora coroada pela própria Irmã Lúcia em 1947 — conferiu à celebração um caráter histórico. Muitos dos presentes viam-na pela primeira vez fora de Fátima, conscientes de viver um momento singular na vida espiritual da cidade e da nação.
A imagem regressa a Fátima
Concluídas as celebrações e o congresso, a imagem regressou ao Santuário de Fátima, no dia 13 de novembro de 2005, encerrando assim uma breve mas intensa peregrinação. O regresso foi acompanhado de grande devoção, simbolizando o retorno da Mãe à sua “casa”, depois de ter abençoado a capital do país.
Um marco de fé e evangelização
A saída da imagem original em 2005 representou mais do que uma visita — foi um sinal visível do amor e da presença de Maria no coração da Igreja e da sociedade portuguesa. A consagração de Lisboa a Nossa Senhora de Fátima, inserida no contexto do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, reforçou o papel de Maria como estrela da nova evangelização, que guia os cristãos no testemunho de fé num mundo em mudança.
Conclusão
A peregrinação de Nossa Senhora de Fátima a Lisboa em novembro de 2005 e a consagração da cidade marcam uma página luminosa da história recente da Igreja em Portugal. Num tempo em que se procurava renovar o ardor missionário, Maria foi novamente colocada no centro da vida cristã como Mãe e intercessora.
“Lisboa pertence a Maria. Que, por sua intercessão, esta cidade continue a ser lugar de fé viva e de anúncio do Evangelho.”
— Cardeal D. José Policarpo, 12 de novembro de 2005
