Neste dia, em 2002, tinha início o Ano do Rosário proclamado pelo Papa João Paulo II

O ano de 2002 marcou o início de um período especial de aprofundamento espiritual para a Igreja Católica: o Ano do Rosário. Proclamado pelo Papa São João Paulo II, este tempo de graça estendeu-se de 1 de outubro de 2002 a 7 de outubro de 2003 (Festa de Nossa Senhora do Rosário), com o objetivo de revitalizar a recitação do Rosário, uma prática de piedade antiga, mas que o Papa considerava de vital importância para a vida da Igreja no terceiro milénio.

Introdução: Uma Oração para a Paz e a Família

João Paulo II era um Papa profundamente mariano, cujo lema episcopal era Totus Tuus (“Todo Teu”, referindo-se a Maria). O Rosário era a sua oração preferida, um “compêndio do Evangelho”.

O Ano do Rosário foi lançado num contexto de preocupação mundial com a paz (com a iminência da Guerra do Iraque) e com a crise da família. Na sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae (“O Rosário da Virgem Maria”), datada de 16 de outubro de 2002 (aniversário da sua eleição), o Papa sublinhou a urgência de redescobrir o Rosário como uma oração de contemplação de Cristo, através dos olhos de Maria, capaz de trazer paz ao mundo e de fortalecer a vida familiar.

A Inovação dos Mistérios Luminosos

A principal e mais duradoura inovação do Ano do Rosário foi a introdução dos Mistérios Luminosos (ou Mistérios da Luz). Durante séculos, o Rosário fora tradicionalmente recitado meditando-se em quinze mistérios: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.

João Paulo II propôs a adição de cinco novos mistérios que focassem a vida pública de Jesus, entre o seu batismo e a sua Paixão:

  1. O Batismo de Jesus no Jordão.
  2. A autorrevelação nas Bodas de Caná.
  3. O anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão.
  4. A Transfiguração.
  5. A instituição da Eucaristia.

A introdução dos Mistérios Luminosos visou enriquecer a oração, tornando-a um “compêndio mais completo do Evangelho” e garantindo que o Rosário fosse verdadeiramente centrado em Cristo (cristocêntrico), meditando-se em toda a Sua vida e ministério.

O Programa do Ano do Rosário

O Ano do Rosário foi celebrado em toda a Igreja, com diversas iniciativas a nível diocesano e paroquial para promover a recitação diária e meditativa da oração. O ponto alto em Roma incluiu:

  • Abertura Solene: A 1 de outubro de 2002, o Papa iniciou o ano jubilar com um apelo à recitação fervorosa do Rosário.
  • Encontros Marianos: Realizaram-se vários encontros e celebrações marianas no Vaticano.
  • Encerramento: O ano terminou a 7 de outubro de 2003, na Festa de Nossa Senhora do Rosário.

Conclusão: Um Legado de Oração

O Ano do Rosário (2002-2003) e, em particular, a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, deixaram um legado duradouro na piedade católica. A introdução dos Mistérios Luminosos foi amplamente aceite e incorporada na prática diária de milhões de católicos.

João Paulo II, ao dedicar um ano inteiro a esta oração, sublinhou a sua convicção de que o Rosário é uma ferramenta poderosa para a paz e para a santificação da vida familiar, um caminho simples, mas profundo, de contemplação do rosto de Cristo com a ajuda de Maria.

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