Perto do final do anterior milénio, a Santa Sé elevou a cidade espanhola de Caravaca a um estatuto espiritual partilhado por poucos lugares no mundo. No mapa da cristandade, existem cidades cujos nomes ressoam com uma força espiritual particular. Se Roma é o coração do papado e Jerusalém o berço da Redenção, a pequena cidade de Caravaca de la Cruz, na região de Múrcia, em Espanha, detém um título que a coloca num grupo restrito e elite: o de detentora do Jubileu Perpétuo.
Uma Data para a História: 9 de Janeiro de 1998
Foi precisamente a 9 de janeiro de 1998 que o Vaticano, sob o pontificado de São João Paulo II, emitiu o decreto através da Penitenciaria Apostólica que mudaria para sempre o destino desta localidade. Naquela data, a Santa Sé concedeu ao Santuário da Santíssima e Vera Cruz de Caravaca o privilégio de celebrar um Ano Jubilar “in perpetuum” a cada sete anos.
Este reconhecimento não foi apenas um título honorífico, mas a confirmação de séculos de devoção à relíquia da “Vera Cruz” — um fragmento da madeira da cruz de Cristo que, segundo a tradição, apareceu milagrosamente no castelo de Caravaca em 1232.
Uma das Cinco Cidades Santas
Com esta concessão, Caravaca de la Cruz tornou-se a quinta cidade do mundo a gozar de tal privilégio, juntando-se a um grupo exclusivo de centros de peregrinação que oferecem a Indulgência Plenária de forma perpétua e cíclica:
- Roma (Itália)
- Jerusalém (Terra Santa)
- Santiago de Compostela (Espanha)
- Santo Toríbio de Liébana (Espanha)
- Caravaca de la Cruz (Espanha)
O Ciclo dos Sete Anos
Diferente de Santiago de Compostela, onde o Ano Santo depende do calendário (quando o dia de São Tiago cai num domingo), o Jubileu de Caravaca é fixo e matemático. Ocorre rigorosamente de sete em sete anos. O primeiro grande Ano Jubilar sob este novo regime aconteceu em 2003, seguindo-se 2010, 2017 e, mais recentemente, o ano de 2024.
O Significado Espiritual do Jubileu
Para os peregrinos, o Jubileu Perpétuo significa que a “Porta Santa” de Caravaca se abre periodicamente para oferecer a reconciliação e a renovação da fé. Os fiéis que visitam o Santuário nestes anos, cumprindo as condições habituais (confissão, comunhão e oração pelas intenções do Papa), recebem a Indulgência Plenária.
Este privilégio transformou Caravaca num motor de evangelização e turismo religioso, atraindo milhões de pessoas que percorrem o “Caminho de Levante” ou outras rotas de peregrinação para beijar o relicário que guarda o Lignum Crucis.
O Legado de 1998 para o Futuro
Hoje, olhando para trás, a data de 9 de janeiro de 1998 é vista como o início de uma nova era. Ao conceder o Jubileu Perpétuo, a Igreja reconheceu que a cruz não é apenas um objeto de memória, mas um sinal vivo de esperança. Caravaca de la Cruz continua a ser, muitos anos depois dessa assinatura histórica, um farol que convida o mundo a olhar para o mistério da Cruz de Cristo como fonte de vida eterna.
