Neste dia, em 1970, o Papa Paulo VI sofria um atentado contra a sua vida nas Filipinas

O pontificado de Paulo VI ficou marcado por um forte dinamismo missionário e pela abertura da Igreja ao mundo moderno, fruto do Concílio Vaticano II. Um dos gestos mais significativos desse pontificado foi a sua disposição em viajar e encontrar os povos da Igreja espalhados pelos continentes. Foi nesse espírito que, em 27 de novembro de 1970, o Papa desembarcou em Manila, nas Filipinas, para iniciar uma visita pastoral. Contudo, esse momento histórico ficou marcado por um atentado contra a sua vida, o primeiro contra um Papa em plena era moderna.

A chegada a Manila e o atentado

O Papa Paulo VI viajou para as Filipinas no âmbito de uma visita pastoral à Ásia e Oceânia. Foi a primeira vez que um Papa visitou aquele país, profundamente católico, que via na sua chegada um sinal de esperança e renovação da fé.

No aeroporto internacional de Manila, assim que o avião papal pousou e Paulo VI desceu a escada de acesso, um homem disfarçado de sacerdote aproximou-se rapidamente do Santo Padre. Tratava-se de Benjamín Mendoza y Amor, um artista boliviano residente em Manila, que, sob o disfarce de batina, conseguiu passar despercebido às autoridades.

Mendoza, que segurava um crucifixo dourado numa mão e na outra, escondida por um pano, empunhava um kriss (punhal malaio) com o qual conseguiu atingir o Papa no pescoço e no peito. A ação foi travada quase imediatamente pelo Monsenhor Paul Marcinkus, membro da comitiva papal, que imobilizou o agressor.

A ferida e a reação do Papa

O golpe atingiu Paulo VI de raspão no peito, provocando-lhe uma ferida superficial. Apesar do susto e do perigo real, o Papa manteve uma atitude serena e digna.

Muitos presentes acreditaram, no momento, que se tratara apenas de uma agressão física sem consequências, mas mais tarde confirmou-se que o Santo Padre tinha efetivamente ficado ferido. Paulo VI, contudo, não deixou que o incidente alterasse a sua agenda ou o afastasse da missão pastoral que tinha pela frente.

Após a cerimónia, ao chegar à nunciatura, o Papa finalmente recebeu ajuda médica. É ele mesmo contou: “Pude despir-me e, então, percebi que a camiseta de baixo tinha uma grande mancha de sangue no peito, devido a uma pequena ferida, bem perto da região do coração, superficial e indolor: a camiseta tinha contido a hemorragia, que não era copiosa. Uma outra ferida, ainda menor, quase um arranhão apareceu, à direita, na base do pescoço. As duas feridas foram fechadas e tratadas nos dias seguintes, e logo sararam. Uma pequena aventura de viagem, um pouco de barulho no mundo (soube que na Itália, quando chegou a notícia, o Parlamento suspendeu a sessão) e grande gratidão aos que se interessaram por mim, mas sobretudo graças ao Senhor que me quis seguro e me permitiu a continuação da viagem“.

A continuação da visita

Apesar da tentativa de homicídio, Paulo VI manteve-se firme. Prosseguiu com a sua viagem apostólica de nove dias, encontrando-se com fiéis, líderes religiosos e políticos, reforçando a importância do papel das Filipinas como bastião do catolicismo na Ásia.

O Papa celebrou Missas multitudinárias e deixou uma mensagem clara de paz e de fé. O atentado, longe de silenciar a sua voz, acabou por dar ainda mais força ao testemunho que Paulo VI quis deixar naquele território.

O agressor

O autor do atentado, Benjamín Mendoza, declarou que a sua ação tinha sido motivada por ódio contra a Igreja e contra a figura do Papa, que via como símbolo de poder e de opressão. Foi detido imediatamente e condenado pelas autoridades filipinas. Após cumprir parte da pena, acabaria por ser deportado.

Significado do atentado

O atentado de Manila recordou à Igreja e ao mundo que, mesmo na missão mais pacífica e espiritual, a figura do Papa continua exposta a riscos. Foi um dos primeiros episódios modernos em que a segurança papal foi posta seriamente em causa, levando a uma revisão das medidas de proteção nas viagens pontifícias.

Ao mesmo tempo, mostrou ao mundo a coragem e a determinação de Paulo VI, que não se deixou intimidar pelo perigo e continuou a exercer o seu ministério com a mesma dedicação e entrega.

Conclusão

O atentado contra Paulo VI em Manila, em 1970, permanece como um episódio marcante da história recente da Igreja. Mais do que um momento de violência, é lembrado como um testemunho de serenidade, fé e coragem do Papa que, mesmo ferido, não abandonou a sua missão de pastor universal.

A viagem que poderia ter ficado manchada pelo sangue do Santo Padre acabou por se transformar numa manifestação ainda mais clara da presença da Igreja no mundo e do poder da fé sobre o medo.

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