Sabias que… a Azinheira das Aparições em Fátima foi totalmente destruída pelos devotos e o que resta dela foi roubado?

Quem visita hoje o Santuário de Fátima depara-se imediatamente com uma imponente e frondosa azinheira centenária, mesmo ao lado da Capelinha das Aparições. Milhões de peregrinos rezam à sua sombra, acreditando ser a árvore exata onde a Virgem Maria apareceu aos três pastorinhos em 1917. No entanto, a verdadeira história da Azinheira das Aparições é marcada por uma devoção tão extrema que acabou por ditar a destruição e o roubo da árvore original.

A Localização Exata e o Início da Devoção

Em maio de 1917, a Cova da Iria era uma propriedade rural despovoada, repleta de oliveiras e azinheiras de vários tamanhos. Na primeira aparição, a 13 de maio, a Irmã Lúcia relatou que viram uma Senhora vestida de branco “sobre uma azinheira de pouco mais de um metro de altura” — na verdade, tratava-se de um arbusto jovem e pequeno, uma “azinheirinha”.

A notícia do milagre espalhou-se rapidamente. Movidos por uma fé fervorosa e pelo desejo de levar para casa uma relíquia física do sagrado, os primeiros peregrinos começaram a cortar pequenos ramos e folhas da jovem azinheira. O fenómeno escalou de tal forma que, em poucos meses, o arbusto foi completamente desmembrado pelos devotos. Quando chegou a última aparição, em outubro de 1917, da árvore original restava apenas o tronco central despido.

O Roubo do Tronco Sagrado

Mesmo reduzida a um pedaço de madeira seca preso ao chão, a devoção não parou. Os fiéis continuavam a ajoelhar-se junto ao tronco para rezar. Foi precisamente nesse local exato que, em 1919, os devotos construíram a primeira Capelinha das Aparições (erguida em honra de Nossa Senhora). O tronco da pequena azinheira ficou protegido mesmo em frente à entrada da capela.

No entanto, o misticismo em torno da madeira atraiu atenções indesejadas. Numa noite da década de 1920, aproveitando a falta de vigilância do local, indivíduos desconhecidos roubaram o que restava do tronco original da azinheirinha. Apesar das investigações da época, a relíquia nunca mais foi recuperada, deixando o local exato da aparição sem o seu símbolo vegetal original. Hoje, o local exato onde essa pequena árvore crescia é assinalado pelo pedestal onde assenta a Imagem de Nossa Senhora, dentro da Capelinha.

E a grande azinheira que vemos hoje no Santuário?

Se a azinheira original era pequena, foi destruída e o tronco acabou roubado, que árvore é aquela que hoje domina o recinto do Santuário?

A grande árvore que se ergue imponente no meio do Santuário é, na verdade, uma segunda azinheira. Ela já existia na Cova da Iria em 1917 e era a maior árvore daquela propriedade. Durante as aparições, como os pastorinhos eram pequenos e a multidão de curiosos crescia a cada mês, muitos peregrinos subiam para os ramos desta árvore grande para conseguirem ver as crianças a rezar e tentar vislumbrar o “Milagre do Sol”.

Por ter sido testemunha silenciosa daqueles eventos e ter abrigado os primeiros crentes, esta segunda azinheira foi preservada com extremo cuidado ao longo das décadas, tornando-se uma das árvores mais protegidas e famosas do mundo. Ela foi classificada como de “interesse público” pelo governo português e representa, hoje, a ligação viva e natural àquele ano de 1917.

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