Neste dia, em 1986, o Papa João Paulo II visitava a Índia onde se encontraria com Madre Teresa de Calcutá

Entre 1 e 10 de fevereiro de 1986, o Papa João Paulo II realizou uma extensa e marcante visita apostólica à Índia. Numa nação vasta e plural, maioritariamente hindu, o pontífice polaco procurou fortalecer a comunidade católica local, promover o diálogo inter-religioso e, num dos momentos mais icónicos da história recente do papado, encontrar-se com a sua “santa viva” mais proeminente, Madre Teresa de Calcutá. A visita foi um poderoso testemunho da missão universal da Igreja e da sua dedicação inabalável aos mais pobres.

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A viagem de 10 dias do Papa João Paulo II abrangeu 14 cidades, demonstrando um esforço logístico notável para cobrir a diversidade do país. A agenda foi intensa e multifacetada, focando-se em vários aspetos da vida indiana:

  • Diálogo Inter-religioso: O Papa encontrou-se com líderes hindus, muçulmanos e sikhs, enfatizando a necessidade de harmonia religiosa e paz.
  • Eventos Litúrgicos e Sacramentais: Realizou missas em várias cidades, como Ranchi e Trichur, muitas vezes perante centenas de milhares de fiéis, onde celebrou no rito siro-malabar, por exemplo, e onde o forte dispositivo de segurança foi notório.
  • Beatificações: Um dos pontos altos da visita no estado de Kerala foi a beatificação de dois figuras indianas: o monge carmelita Padre Kuriakose Elias Chavara e a clarissa Irmã Alphonsa, perante uma multidão de cerca de 800.000 pessoas.
  • Encontros com a Sociedade Civil: Discursou para académicos, jovens, trabalhadores e líderes de várias comunidades, abordando temas de justiça social, dignidade do trabalho e os problemas das castas indianas. 

4 de Fevereiro de 1986: O Encontro de Dois Santos em Calcutá

A data de 4 de fevereiro de 1986 ficou gravada na memória coletiva. Nesse dia, João Paulo II chegou a Calcutá (atual Kolkata), a cidade da miséria extrema e da devoção radical, onde a beata (na altura) Madre Teresa operava a sua missão de caridade.

O encontro ocorreu no Shishu Bhavan, um orfanato e casa de acolhimento gerido pelas Missionárias da Caridade. O Papa, visivelmente comovido pelo que viu, participou ativamente no serviço aos mais vulneráveis: 

  • A Saudação: Madre Teresa subiu ao Papamóvel branco para beijar a mão do Papa, que por sua vez beijou a sua cabeça.
  • Alimentar os Doentes: O Papa ajudou as irmãs a alimentar os doentes e moribundos, distribuindo pratos de comida a pacientes de cancro, tuberculose e desnutrição.
  • Bênçãos e Consolação: Beijou e abraçou alguns dos pacientes, abençoando inclusivamente os corpos de quatro pessoas que tinham morrido na noite anterior no abrigo. 

O Papa João Paulo II admirava profundamente Madre Teresa. No seu discurso, elogiou a dedicação das Missionárias da Caridade e a sua “resposta evangélica” ao sofrimento humano. As imagens do Papa a pegar em crianças, a abraçar os doentes e a sorrir ao lado de Madre Teresa correram o mundo. 

Outros Encontros Posteriores

A relação entre João Paulo II e Madre Teresa foi de profunda estima mútua e cooperação, e eles encontraram-se em diversas outras ocasiões, tanto no Vaticano como noutras viagens papais, sempre marcadas pela simplicidade e afeto: 

  • Visitas Regulares ao Vaticano: Madre Teresa visitava frequentemente Roma para se reunir com o Papa, discutir o trabalho da sua ordem e receber a sua bênção e apoio.
  • Aceleração da Canonização: João Paulo II foi um grande apoiante da obra de Madre Teresa e, após a sua morte em 1997, aboliu a exigência canónica de esperar cinco anos após a morte para iniciar o processo de beatificação, permitindo que ela fosse beatificada em tempo recorde a 19 de outubro de 2003

Conclusão

A visita do Papa João Paulo II à Índia em 1986, e em particular o seu encontro com Madre Teresa de Calcutá a 4 de fevereiro, permanece como um marco de fé e compaixão. A imagem do líder de mil milhões de católicos a partilhar uma refeição com os mais pobres entre os pobres enviou uma mensagem poderosa ao mundo sobre as prioridades do Evangelho. O seu relacionamento e a sua santidade partilhada continuam a inspirar a Igreja e o mundo a responderem à pobreza e ao sofrimento com gestos concretos de amor e caridade.

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