Regra geral, um católico não deve comungar numa igreja protestante nem numa igreja ortodoxa, embora a Igreja Católica aplique critérios teológicos e pastorais muito diferentes para cada uma destas duas realidades devido ao nível de comunhão doutrinária que partilha com elas.
Esta é uma dúvida muito frequente em contextos ecuménicos, como casamentos mistos, batizados ou funerais onde estão presentes cristãos de diferentes confissões. Para os católicos, a Sagrada Comunhão não é apenas um gesto de hospitalidade ou de amizade entre cristãos, mas sim o sinal visível de uma total unidade de fé, sacramentos e governo sob a autoridade da Igreja.
Para compreender como a Igreja Católica orienta os seus fiéis nestas situações, destacam-se três pontos fundamentais baseados no Direito Canónico e no Catecismo:
- A Impossibilidade na Igreja Protestante (Evangélica): A Igreja Católica não permite, em circunstância alguma, que um católico comungue numa celebração protestante. O Catecismo da Igreja Católica esclarece no parágrafo CIC 1400 que estas comunidades, surgidas da Reforma do século XVI, “não conservaram a substância genuína e íntegra do mistério eucarístico, sobretudo por causa da falta do sacramento da Ordem”. Para o protestantismo, a ceia é um memorial simbólico, enquanto para o catolicismo ocorre a Transubstanciação (a conversão real do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo). Comungar ali seria professar uma fé que o católico não tem.
- A Relação Especial com a Igreja Ortodoxa: A situação com as Igrejas Ortodoxas Orientais é diferente. A Igreja Católica reconhece que os ortodoxos conservaram a sucessão apostólica e, por isso, possuem sacramentos válidos, incluindo o sacerdócio e a Eucaristia verdadeira. O Código de Direito Canónico, no cânone 844 §2, estipula que se houver necessidade espiritual ou impossibilidade física de aceder a um sacerdote católico, um fiel católico pode receber a Eucaristia de um ministro ortodoxo. Contudo, na prática, as próprias Igrejas Ortodoxas proíbem estritamente a comunhão a quem não pertence à sua própria Igreja. Por respeito à disciplina deles, o católico deve abster-se.
- O Significado da Comunhão: A tradição teológica recorda que a palavra “Comunhão” significa comum união. Receber a Eucaristia significa dizer “Aém” a tudo o que aquela Igreja ensina e professa. Se não há uma unidade total na fé (sobre o Papa, sobre a Virgem Maria, sobre os próprios sacramentos), receber a comunhão seria exprimir uma unidade visível que, infelizmente, ainda não existe plenamente no plano teológico.
Em resumo: Em celebrações protestantes, o católico nunca deve comungar, pois o entendimento sobre a Eucaristia e o sacerdócio é essencialmente diferente. Em celebrações ortodoxas, embora a Eucaristia seja teologicamente válida, as regras internas da Igreja Ortodoxa não o permitem. Em ambos os casos, a atitude correta e respeitosa do católico é permanecer no seu lugar, unindo-se em oração fraterna pelo fim das divisões entre os cristãos.

