Neste dia, em 2013, o Papa Francisco alterava o Missal Romano tornando obrigatória a menção ao nome de São José

No dia 1 de maio de 2013, Solenidade de São José Operário, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou o decreto Paternas vices (“Os cuidados paternais”). Este documento histórico, promulgado sob o pontificado do Papa Francisco, alterou o texto das Orações Eucarísticas II, III e IV do Missal Romano, tornando obrigatória a menção ao nome de São José logo após o da Virgem Maria.

A Origem: Um Desejo de Bento XVI

Embora o decreto tenha sido assinado no início do pontificado de Francisco, a sua génese pertence ao Papa Bento XVI. Durante anos, o Vaticano recebeu milhares de petições de bispos, padres e fiéis de todo o mundo, solicitando que o “Guardião do Redentor” recebesse o mesmo destaque litúrgico que já possuía no antigo Cânone Romano (Oração Eucarística I) desde 1962.

Bento XVI, com a sua profunda sensibilidade teológica, acolheu estas súplicas e deu ordens para que a alteração fosse preparada. O Papa Francisco, ao assumir o pontificado, não só confirmou a decisão como escolheu uma data simbólica — o dia do trabalho e de São José — para a sua publicação, reforçando o papel do santo como modelo de serviço e humildade.

A Alteração Litúrgica

O decreto estabeleceu que, em todas as edições do Missal Romano, as fórmulas das orações mais utilizadas na Igreja passassem a incluir a expressão “com São José, seu esposo” (cum beato Ioseph, eius sponso).

Esta mudança corrigiu uma lacuna nas orações criadas após o Concílio Vaticano II (Orações II, III e IV), que curiosamente não tinham incluído o nome do santo, ao contrário da Oração Eucarística I. Com o Paternas vices, a liturgia alcançou uma coerência universal: em qualquer Missa celebrada no rito romano, a Igreja invoca agora a proteção daquele que cuidou do Menino Jesus.

O Significado Teológico

A fundamentação do decreto assenta na “paterna solicitude” de José. O texto sublinha que São José, ao ser colocado no centro do Sacrifício Eucarístico, é reconhecido como o elo entre a promessa de Deus e a sua realização em Cristo. A Igreja professa que, se Maria é a Mãe da Igreja, José é o seu Protetor, e a sua presença na oração consubstancia a unidade da Família de Nazaré no mistério da salvação.

Conclusão

O decreto Paternas vices não foi apenas uma correção de texto, mas um ato de justiça eclesial. Ao pronunciar o nome de São José nas orações mais solenes da Missa, o sacerdote e a assembleia reconhecem que o silêncio de José na Bíblia se transformou numa intercessão poderosa e constante. Hoje, o “Justo” de Nazaré acompanha cada consagração do pão e do vinho, protegendo o Corpo Místico de Cristo com a mesma fidelidade com que protegeu o seu corpo físico.

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