O fenómeno dos estigmas de Santa Gemma Galgani (1878–1903) é um dos casos mais documentados e impressionantes da mística católica moderna. Conhecida como a “Filha da Paixão”, Gemma não só recebeu as chagas de Cristo, como viveu um ciclo semanal de sofrimento que desafiou as explicações científicas da sua época.
O Início do Fenómeno (8 de junho de 1899)
Os estigmas manifestaram-se pela primeira vez na noite de 8 de junho de 1899, véspera da festa do Sagrado Coração de Jesus. Gemma descreveu uma visão em que a Virgem Maria a cobriu com o seu manto, enquanto Jesus aparecia com as Suas feridas abertas. Em vez de sangue, das feridas de Cristo saíam “chamas de fogo” que tocaram as mãos, os pés e o coração de Gemma. Ao despertar do êxtase, ela encontrou as feridas a sangrar abundantemente nas palmas, no dorso das mãos e nos pés.
A Periodicidade Semanal
Entre 1899 e 1901, Gemma viveu este fenómeno com uma regularidade quase matemática:
- Quinta-feira à noite: Iniciava-se o êxtase e as feridas abriam-se, acompanhadas de dores intensas.
- Sexta-feira (15h): O sangramento cessava, coincidindo com a hora tradicional da morte de Cristo.
- Sábado de manhã: As feridas fechavam-se completamente, deixando apenas pequenas cicatrizes ou marcas brancas na pele.
Manifestações Físicas e Outros Sinais
Além das chagas nas mãos e pés (estigmas clássicos), Gemma experimentou outros sofrimentos da Paixão:
- A Coronamento de Espinhos: Feridas profundas na cabeça e testa que surgiram posteriormente.
- A Flagelação: Marcas de açoites por todo o corpo, descritas como lacerações profundas.
- A Ferida no Lado: Uma abertura na região do coração que também sangrava periodicamente.
Testemunhos e Observação Médica
O fenómeno foi acompanhado de perto pelo seu diretor espiritual, o Padre Germano de São Estanislau, e pelo médico da família Giannini (onde Gemma vivia como hóspede), o Dr. Pietro Pfanner.
O Dr. Pfanner tentou inicialmente atribuir as chagas a causas naturais ou histeria, mas ficou perplexo com a rapidez com que as feridas profundas cicatrizavam em menos de 24 horas sem sinais de infeção ou inflamação.
Nos dias em que as feridas não estavam abertas, permaneciam marcas circulares esbranquiçadas na pele, que desapareceram apenas após a sua morte.
O Fim dos Estigmas e a Morte
A pedido do seu confessor, que temia pela sua saúde já fragilizada pela tuberculose, Gemma rezou para que as chagas externas desaparecessem. Em 1901, as feridas deixaram de abrir-se publicamente, embora ela continuasse a sentir as dores internas da Paixão. Santa Gemma faleceu no Sábado Santo, 11 de abril de 1903, aos 25 anos.
