Durante a Segunda Guerra Mundial, a Polónia foi um dos países que mais sofreu com a ocupação nazi. Os judeus foram perseguidos de forma brutal, e qualquer pessoa que os ajudasse arriscava a própria vida. Foi nesse cenário de terror que viveu a família Ulma, exemplo extraordinário de fé, coragem e caridade cristã.
Quem eram os Ulma
A família Ulma vivia na aldeia de Markowa, no sudeste da Polónia. O casal, Józef Ulma (1900-1944) e Wiktoria Ulma (1912-1944), era profundamente religioso e dedicado à vida familiar.
Juntos tiveram sete filhos, Stanisława (8 anos), Barbara (7 anos), Władysław (6 anos), Franciszek (4 anos), Antoni (3 anos), Maria (2 anos) e um bebé que nasceu no dia do martírio da família
Józef era agricultor e também fotógrafo amador, deixando para a posteridade várias imagens da sua família. Wiktoria era uma mãe dedicada, conhecida pela sua bondade.
A decisão corajosa
Inspirados pelo Evangelho e pelo mandamento do amor, os Ulma tomaram uma decisão arriscada: acolheram em sua casa oito judeus perseguidos pelos nazis. Durante meses, partilharam os seus alimentos e ofereceram refúgio, conscientes de que poderiam ser denunciados a qualquer momento.
Na Polónia ocupada, a pena por esconder judeus era a morte. Mas, para os Ulma, proteger vidas inocentes era um dever de consciência e de fé.
O martírio da família
Na madrugada de 24 de março de 1944, a casa dos Ulma foi cercada por soldados alemães e pela polícia local. Os judeus escondidos foram executados no local.
Em seguida, diante de toda a aldeia, os nazis assassinaram Józef e Wiktoria. Depois, numa crueldade que chocou até os presentes, decidiram matar também as crianças, uma a uma, para “não dar trabalho ao Estado”.
Wiktoria, grávida no último mês, entrou em trabalho de parto durante a execução, e o bebé nasceu parcialmente no momento da morte da mãe. Toda a família morreu nesse dia, testemunhando a sua fé em Cristo até ao fim.
Memória e beatificação
Durante décadas, a memória dos Ulma foi preservada pela comunidade local de Markowa, que guardou o seu testemunho como exemplo de amor heroico.
Em 1995, o Estado de Israel reconheceu Józef e Wiktoria Ulma como “Justos entre as Nações”, título atribuído aos não-judeus que arriscaram a vida para salvar judeus durante o Holocausto.
A Igreja Católica iniciou o processo de beatificação, reconhecendo que a família foi morta “em ódio à fé” (odium fidei).
No dia 10 de setembro de 2023, na cidade de Markowa, realizou-se a cerimónia de beatificação da família Ulma, presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, enviado do Papa Francisco. Foi a primeira vez na história da Igreja que uma família inteira, incluindo uma criança ainda no ventre materno, foi beatificada em conjunto.
O significado do testemunho dos Ulma
A família Ulma é chamada hoje de “Santos de uma vida quotidiana”, porque o seu martírio nasceu de escolhas simples, mas radicais: acolher, amar, partilhar, proteger.
O seu testemunho recorda que a santidade não se limita a atos extraordinários, mas nasce do amor concreto ao próximo, mesmo em circunstâncias de perigo.
A beatificação dos Ulma também recorda a importância da família como “Igreja doméstica”, capaz de viver e transmitir o Evangelho com gestos de fé e de misericórdia.
Conclusão
A história da família Ulma é uma das páginas mais comoventes do século XX. O seu sacrifício é sinal de que o amor é mais forte do que o ódio, e que a luz da fé pode vencer até a escuridão da guerra e da violência.
Hoje, a Igreja propõe os Ulma como exemplo para todas as famílias cristãs: viver com coragem, confiar em Deus, amar sem limites, mesmo quando o preço é a própria vida.
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