Neste dia, em 2015, o Papa Francisco promulgava bula de anúncio do Jubileu Extraordinário da Misericórdia

Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, foi um evento de grande significado espiritual que marcou a vida da Igreja Católica entre 8 de dezembro de 2015 e 20 de novembro de 2016. Diferente dos jubileus ordinários, celebrados a cada 25 anos, este Ano Santo extraordinário teve um foco teológico específico: colocar a misericórdia de Deus no centro da vida e da missão da Igreja no mundo contemporâneo. Foi um período de reflexão profunda sobre o perdão, a compaixão e a renovação espiritual.

O Anúncio e a Bula Papal

O Papa Francisco anunciou a sua intenção de convocar um Ano Santo Extraordinário durante uma celebração penitencial na Basílica de São Pedro, a 13 de março de 2015. O anúncio coincidiu com o segundo aniversário da sua eleição e a memória litúrgica de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores.

A convocação oficial foi feita através da Bula Pontifícia Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia), publicada a 11 de abril de 2015. No documento, Francisco delineou os objetivos do jubileu, enfatizando que Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai e que a Igreja deve ser um sinal visível dessa misericórdia no mundo. O lema do jubileu foi “Sede misericordiosos como o Pai” (Lucas 6,36).

Eventos e Ritos Inovadores

O Jubileu da Misericórdia foi marcado por vários ritos e eventos inovadores que o distinguiram de jubileus anteriores:

  • A Abertura da Porta Santa em África: Num gesto simbólico de descentralização e inclusão, o Papa Francisco iniciou o jubileu em África, abrindo a Porta Santa da Catedral de Bangui, na República Centro-Africana, a 29 de novembro de 2015, antes mesmo da abertura oficial em Roma. Este ato sublinhou a universalidade da misericórdia e a atenção do Papa às “periferias”.
  • A Abertura em Roma: O jubileu foi formalmente inaugurado a 8 de dezembro de 2015, Solenidade da Imaculada Conceição, com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro. Pela primeira vez na história, o Papa Emérito Bento XVI também esteve presente na cerimónia e atravessou a porta após o Papa Francisco.
  • Portas da Misericórdia Locais: Uma das maiores inovações foi a concessão da faculdade de abrir “Portas da Misericórdia” em dioceses por todo o mundo — em catedrais, santuários ou igrejas de grande significado. Isso permitiu que os fiéis que não podiam viajar a Roma pudessem obter a indulgência jubilar localmente, universalizando o acesso à graça do jubileu.
  • Missionários da Misericórdia: O Papa instituiu os “Missionários da Misericórdia“, sacerdotes de todo o mundo a quem concedeu faculdades especiais para perdoar pecados reservados à Sé Apostólica, como a profanação da Eucaristia ou a absolvição do cúmplice no pecado contra o sexto mandamento, sublinhando a primazia da misericórdia sobre a lei canónica.

Curiosidades e Momentos Marcantes

O jubileu foi rico em gestos concretos de misericórdia por parte do Papa:

  • “Sextas-feiras da Misericórdia”: O Papa Francisco realizou, em cada sexta-feira do mês, visitas privadas e não anunciadas a diversas realidades de sofrimento e marginalização, como lares de idosos, comunidades de toxicodependentes, centros de refugiados e hospitais, dando o exemplo de como viver as obras de misericórdia corporais e espirituais.
  • A Missa pelos Reclusos: Um dos eventos mais tocantes foi a missa celebrada na Praça de São Pedro com milhares de reclusos de várias partes do mundo, num gesto de solidariedade com aqueles que estão privados de liberdade.

O Encerramento

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia foi solenemente encerrado a 20 de novembro de 2016, Solenidade de Cristo Rei do Universo, com o fecho da Porta Santa da Basílica de São Pedro pelo Papa Francisco. No final do ano, o Papa publicou a Carta Apostólica Misericordia et Misera (Misericórdia e Miserável), na qual exortou a Igreja a continuar a viver a misericórdia de forma permanente e a manter as “portas da misericórdia” sempre abertas nos corações dos fiéis.

Conclusão

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, não foi apenas uma celebração de um ano, mas um apelo à conversão permanente da Igreja e de cada crente. Ao inovar nos ritos jubilares e ao focar-se nas obras de misericórdia concretas, o Papa demonstrou que a compaixão e o perdão são a essência do Evangelho, especialmente num mundo marcado por divisões e indiferença. A abertura das portas da misericórdia em todo o mundo permitiu que milhões de pessoas se sentissem incluídas e amadas por Deus. O legado deste jubileu é um desafio contínuo para que os cristãos sejam, no seu dia a dia, o “rosto da misericórdia” de Deus no mundo, perpetuando o espírito do Ano Santo muito para além do seu encerramento formal.

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