Quando e como desmontar o presépio

O presépio é muito mais do que um elemento decorativo do Natal. Ele é uma verdadeira catequese em imagens, um anúncio silencioso do mistério da Encarnação e uma expressão profunda da fé cristã. Por isso, a sua desmontagem não deve ser apressada nem feita de forma indiferente, mas vivida com respeito, consciência espiritual e fidelidade à tradição da Igreja.

O presépio: centro do tempo de Natal

Desde São Francisco de Assis, que em 1223 realizou o primeiro presépio em Greccio, esta representação do nascimento de Jesus tornou-se uma das expressões mais queridas da piedade popular. O presépio não existe apenas para a noite de Natal: ele acompanha todo o Tempo do Natal, ajudando os fiéis a contemplar o mistério de Deus que Se faz homem.

Cada figura — Maria, José, o Menino, os pastores, os Magos — tem um significado próprio e conduz à oração. Por isso, o presépio deve permanecer montado enquanto a Igreja continua a celebrar liturgicamente o Natal.

Qual é o dia correcto para desmontar o presépio?

Existem duas datas principais para desmontar o presépio, dependendo de se seguir a tradição popular ou a liturgia católica:

Tradição Católica Litúrgica
Segundo a tradição litúrgica, o Tempo do Natal termina com a Festa do Baptismo do Senhor, celebrada no domingo seguinte à Epifania. Este é, de forma geral, o momento mais apropriado para desmontar o presépio, pois marca o fim da manifestação de Cristo ao mundo e o início da Sua vida pública.

Tradição Histórica e Devocional
No entanto, existe também uma tradição devocional muito enraizada, especialmente em Portugal e noutros países de forte herança cristã, que prolonga o presépio até ao dia 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor (Nossa Senhora das Candeias). Esta data assinala os quarenta dias após o nascimento de Jesus e encerra simbolicamente o ciclo natalício.

Aqui estão os principais motivos para essa data:

  • A Apresentação no Templo (2 de fevereiro): Segundo o relato bíblico, Maria e José levaram Jesus ao Templo de Jerusalém 40 dias após o seu nascimento para cumprir o ritual de purificação e apresentação do primogénito. Como este evento ainda faz parte da infância de Jesus e do “relato de Natal”, muitas famílias mantêm o presépio até esta festa.
  • Festa da Candelária: Este dia também é conhecido como a Festa de Nossa Senhora das Candeias ou Candelária. A bênção das velas (luz) simboliza Jesus como a “Luz para iluminar as nações”, fechando simbolicamente o ciclo da Luz que começou no Natal.
  • Tradição do Vaticano: Na Praça de São Pedro, em Roma, é comum o presépio e a árvore de Natal permanecerem montados até ao início de fevereiro. Esta prática foi reforçada por São João Paulo II, que visitava o presépio pela última vez no dia 2 de fevereiro antes de ele ser desmontado.
  • Antigo Calendário Litúrgico: Antes das reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II, o período da Epifania estendia-se até à Purificação de Maria (2 de fevereiro). Muitas comunidades mantiveram esse costume como uma forma de prolongar a celebração da Encarnação.

Embora o calendário litúrgico atual encerre oficialmente o Tempo do Natal no Batismo do Senhor (janeiro), manter o presépio até à Apresentação é considerado uma piedade popular válida e cheia de significado espiritual.

A atitude interior ao desmontar o presépio

A desmontagem não é um “adeus”, mas um “até breve”. A atitude correta é de recolhimento. Ao retirar as peças, faça uma breve oração em família, agradecendo pelas luzes e bênçãos recebidas durante as festas. O objetivo é que a “manjedoura” deixe de ser um objeto físico na sala e passe a ser um lugar de acolhimento no nosso dia a dia.

Algumas famílias rezam uma oração simples ou lêem um breve trecho do Evangelho antes de guardar as figuras, ajudando especialmente as crianças a compreender que o Natal não “acabou”, mas continua no coração.

Como desmontar o presépio com respeito e devoção

A própria forma de desmontar o presépio pode ser catequética. Tradicionalmente:

  • O Menino Jesus é a última figura a ser retirada
  • As figuras devem ser limpas e guardadas com cuidado
  • Evita-se desmontar tudo de forma apressada ou descuidada

Este gesto ensina que aquilo que representou o nascimento de Cristo merece reverência, mesmo quando é guardado.

O presépio não termina: transforma-se em vida

Desmontar o presépio não significa encerrar o Natal, mas levar o Natal para a vida quotidiana. O que foi contemplado — a humildade de Deus, a simplicidade da Sagrada Família, a alegria dos pastores — deve agora manifestar-se em atitudes concretas de caridade, serviço e fé.

O presépio é desmontado exteriormente, mas permanece vivo no coração de quem se deixou tocar pelo mistério do Deus-Menino.

Conclusão

Respeitar o tempo certo, cuidar da forma e cultivar a atitude interior correcta ao desmontar o presépio é também uma maneira de viver a fé com profundidade. Pequenos gestos, quando feitos com amor e consciência, tornam-se verdadeiros actos de louvor.

Que, ao guardar o presépio, cada cristão possa dizer, com simplicidade: “Senhor, fica connosco, mesmo depois do Natal.”

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