Neste dia, em 1999, o Papa João Paulo II proclamou Santa Brígida da Suécia e Santa Edith Stein como co-padroeiras da Europa

A 1 de outubro de 1999, no contexto da preparação espiritual para o Grande Jubileu do Ano 2000, o Papa João Paulo II publicou a Carta Apostólica Spes Aedificandi, na qual proclamou Santa Brígida da Suécia e Santa Edith Stein (Teresa Benedita da Cruz) como co-padroeiras da Europa, juntamente com Santa Catarina de Sena, cuja co-padroaria do continente foi então reafirmada.

Este gesto pontifício, profundamente simbólico, procurou apresentar à Europa três figuras femininas que, em momentos e contextos históricos diversos, encarnaram valores espirituais, culturais e humanos capazes de inspirar o futuro do continente.

O contexto da proclamação

Nos últimos meses de 1999, a Igreja encontrava-se profundamente envolvida na preparação do Jubileu do Ano 2000, um tempo de renovação, reconciliação e abertura ao novo século. João Paulo II, atento aos desafios espirituais e culturais da Europa — marcada pela secularização, por novas tensões políticas e por um desejo de reencontrar as suas raízes comuns — viu a necessidade de propor modelos de santidade ligados à história e identidade europeias.

Assim, a 1 de outubro de 1999, estabeleceu três mulheres santas como padroeiras do continente europeu, destacando não apenas o papel das nações cristãs na formação da Europa, mas também o contributo feminino para a vida espiritual e cultural do continente.

Santa Brígida da Suécia (1303–1373): peregrina da unidade

Nascida na Suécia no início do século XIV, Brígida foi esposa, mãe de oito filhos, mística e fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador (Brigidinos). A sua vida dividiu-se entre a nobreza, a maternidade e uma profunda experiência espiritual, marcada por revelações que influenciaram reis, papas e comunidades religiosas.

Contributos para a Europa

  • Promotora da paz e conciliação entre reinos e governantes.
  • Defensora da unidade da Igreja, apelando ao retorno do Papa a Roma durante o Cativeiro de Avinhão.
  • Figura importante na espiritualidade nórdica, mostrando que a santidade floresce em todas as latitudes do continente.

A sua proclamação como padroeira reforçou a dimensão ecuménica desejada para a Europa, unindo simbolicamente o Norte do continente à tradição católica.

Santa Edith Stein — Teresa Benedita da Cruz (1891–1942): mártir da verdade

Filha de uma família judaica alemã, filósofa brilhante e discípula de Edmund Husserl, Edith Stein percorreu um intenso caminho intelectual e espiritual que a levou ao catolicismo em 1922 e, posteriormente, ao Carmelo de Colónia, onde tomou o nome de Teresa Benedita da Cruz.

Com a ascensão do nazismo, foi deportada para Auschwitz-Birkenau, onde morreu na câmara de gás a 9 de agosto de 1942, vítima da perseguição antissemita.

Significado para a Europa

  • Símbolo da reconciliação entre judeus e cristãos, duas raízes essenciais da civilização europeia.
  • Representante de uma Europa marcada pela busca da verdade através da fé e da razão.
  • Testemunha da dignidade humana no contexto do totalitarismo e da violência.

Ao proclamá-la co-padroeira, João Paulo II quis recordar que a Europa só se pode compreender plenamente quando reconhece tanto a herança cristã como a judaica, e quando reconhece os seus momentos de luz e de sombra.

Santa Catarina de Sena (1347–1380): a voz profética reafirmada

Embora já venerada como padroeira da Itália e, desde 1939, como co-padroeira da Europa, Santa Catarina de Sena teve o seu título novamente confirmado em 1999.

Dominicana leiga, teóloga mística e conselheira de papas, Catarina foi uma das figuras femininas mais influentes da Idade Média. Trabalhou pela reforma moral e espiritual da Igreja, pelo fim do Cisma do Ocidente e pelo retorno do papado a Roma.

Por que reafirmar a sua padroaria?

  • Catarina simboliza o compromisso incansável com a unidade da Igreja.
  • Representa o poder transformador da fé mesmo nas estruturas sociais e políticas.
  • Lembra à Europa a necessidade de preservar a verdade, a justiça e a caridade como fundamentos da convivência.

Um gesto profético para a Europa contemporânea

A escolha destas três santas não foi casual, mas profundamente programática:

a) Três mulheres, três rostos da Europa

  • Norte — Santa Brígida
  • Centro — Santa Edith Stein
  • Sul — Santa Catarina de Sena

Juntas, representam a diversidade cultural e geográfica do continente.

b) Três caminhos espirituais

  • A mística peregrina (Brígida)
  • A mártir intelectual (Edith Stein)
  • A profetisa da unidade (Catarina)

Estas três vocações iluminam dimensões complementares da missão cristã na Europa.

c) Um apelo à Europa do século XXI

João Paulo II quis recordar que a Europa deve reencontrar:

  • a sua alma cristã,
  • a dignidade da pessoa humana,
  • a busca da verdade,
  • a defesa da paz,
  • e a responsabilidade ética que moldaram a sua história.

Conclusão: um legado para hoje

A proclamação de 1 de outubro de 1999, durante o caminho para o Jubileu de 2000, permanece um dos atos mais simbólicos do pontificado de João Paulo II. Ao destacar três mulheres santas como padroeiras da Europa, o Papa quis recordar que a verdadeira renovação do continente não virá apenas de reformas políticas, económicas ou técnicas, mas do reencontro com os seus valores espirituais mais profundos.

Santa Brígida, Santa Edith Stein e Santa Catarina de Sena permanecem, assim, faróis para a Europa de hoje, chamando-a a caminhar com fidelidade, coragem e esperança.

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