Neste dia, em 1513, Giovanni de Medici era eleito como Papa Leão X

O Papa Leão X (nascido Giovanni di Lorenzo de’ Medici) governou a Igreja Católica de 1513 a 1521. O seu pontificado é o epítome do papado renascentista: um período de esplendor artístico inigualável, patronato das letras e política dinástica, mas também o momento em que as tensões internas da Igreja culminaram na rutura de Martinho Lutero. Filho de Lorenzo, o Magnífico, Leão X trouxe o brilho de Florença para o trono de São Pedro.

A Eleição de 1513: O Triunfo da Casa de Médici

A eleição de Giovanni de’ Medici é um dos momentos mais fascinantes da história dos conclaves, marcando a transição do papado guerreiro de Júlio II para uma era de diplomacia e cultura.

O Contexto:
Após a morte de Júlio II em fevereiro de 1513, o Colégio de Cardeais reuniu-se num ambiente de relativa paz, algo raro na Itália da época. Os cardeais desejavam um líder que trouxesse harmonia e que não tivesse o temperamento belicoso do seu predecessor.

O Conclave:
O conclave começou a 4 de março de 1513. Giovanni de’ Medici, na altura com apenas 37 anos, era o candidato favorito dos cardeais mais jovens e da fação moderada. Embora fosse cardeal desde os 13 anos (uma nomeação política do seu pai), ele tinha uma reputação de seriedade, cultura e, acima de tudo, de ser um homem de maneiras suaves e conciliadoras.

Um detalhe curioso é que Giovanni entrou no conclave transportado numa ninhada, pois sofria de uma fístula dolorosa que o impedia de caminhar. Muitos cardeais votaram nele acreditando que, devido à sua saúde frágil, ele teria um reinado curto — um erro de cálculo comum na história dos conclaves.

A Eleição (11 de Março de 1513):
No dia 11 de março de 1513, Giovanni de’ Medici foi eleito Papa por unanimidade, assumindo o nome de Leão X. Como era apenas diácono, teve de ser ordenado sacerdote a 15 de março e consagrado bispo a 17 de março. A sua coroação solene ocorreu a 19 de março de 1513.

Diz a lenda (embora a sua veracidade seja debatida) que, após a eleição, ele teria dito ao seu primo Giulio (futuro Papa Clemente VII): “Já que Deus Nos deu o Papado, gozemo-lo”. Verdade ou não, esta frase capturou o espírito do seu reinado.

O Patronato das Artes e o Esplendor de Roma

Leão X transformou Roma no centro intelectual da Europa. Sob o seu comando, a cidade viveu uma “Idade de Ouro”:

  • Rafael e Miguel Ângelo: Leão X foi o grande patrono de Rafael, que pintou os seus famosos aposentos no Vaticano. Miguel Ângelo também trabalhou intensamente sob o seu governo, embora a relação entre os dois tenha sido por vezes tensa.
  • Cultura e Ciência: Fundou universidades, promoveu o estudo do grego e do hebraico e transformou a Biblioteca do Vaticano numa das mais importantes do mundo.

A Crise das Indulgências e Lutero

Apesar do seu sucesso cultural, Leão X herdou um problema financeiro e estrutural: a reconstrução da Basílica de São Pedro. Para financiar a obra monumental, o Papa autorizou a venda de indulgências em larga escala, um método que permitia aos fiéis contribuir financeiramente em troca da remissão de penas temporais pelos pecados.

Este sistema foi o rastilho para a revolta de Martinho Lutero, que a 31 de outubro de 1517 afixou as suas 95 Teses na porta da igreja de Wittenberg. Leão X, inicialmente, subestimou o movimento, chamando-lhe “uma querela de monges”. No entanto, a situação escalou e, em 15 de junho de 1520, o Papa emitiu a Bula Exsurge Domine, condenando as teses de Lutero. Em 3 de janeiro de 1521, Leão X excomungou formalmente o reformador através da Bula Decet Romanum Pontificem.

Conclusão

Leão X faleceu subitamente a 1 de dezembro de 1521, aos 45 anos. O seu legado é profundamente ambivalente. Por um lado, foi o Papa que consolidou Roma como a capital da beleza e do conhecimento, elevando a cultura ocidental a novos patamares. Por outro, a sua preocupação com o esplendor material e os interesses da sua família (os Médici) impediu-o de ver a necessidade urgente de uma reforma espiritual profunda na Igreja.

Leão X é recordado como o homem que uniu a coroa papal à coroa das artes, mas que também presenciou a divisão definitiva da cristandade ocidental. A sua eleição em 1513 prometia paz e cultura, e embora tenha entregue ambas, não conseguiu evitar que as pedras da Basílica de São Pedro fossem pagas com o preço da unidade religiosa da Europa.

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