Neste dia, em 1104, era encontrado o quadro com a imagem da Nossa Senhora da Consolata

A devoção a Nossa Senhora da Consolata tem as suas raízes em Turim, Itália, e remonta à Idade Média. O título “Consolata” significa literalmente “aquela que consola”, e sublinha o papel maternal de Maria como presença de conforto e esperança para os cristãos que atravessam dificuldades.

Segundo a tradição, um ícone mariano de origem bizantina foi levado para a região do Piemonte, onde a imagem rapidamente se tornou objeto de veneração. O povo recorria à Virgem da Consolação em momentos de sofrimento, doença ou provação, confiando na sua intercessão junto de Cristo.

História do milagre

Santo Eusébio passou anos exilado em terras do Oriente e da Palestina. Estando na Palestina, ele encontrou um belo quadro de Nossa Senhora da Consolata. Voltando do exílio, ele levou o quadro e o deu de presente ao Bispo de Turim, Itália, outro santo, São Máximo.

Este, reconhecendo a beleza e a importância da devoção a Nossa Senhora da Consolata, fez um altar dedicado na igreja de Santo André e chamou o povo para venerar Nossa Senhora sob esse novo título. Por mais de 400 anos o quadro ficou ali exposto para a veneração e oração dos fiéis.

Em 820 os hereges iconoclastas, isto é, destruidores de imagens, invadiram a cidade de Turim e destruíram tudo que encontravam que fizesse referência à fé cristã. Os religiosos, então, esconderam tudo quanto conseguiram esconder, inclusive o quadro de Nossa Senhora da Consolata. Por isso, o quadro ficou esquecido nas catacumbas da igreja de Turim. Ali permaneceu por mais de 100 anos.

No ano 1014, um Marquês italiano chamado Arduino, estava muito doente. Em seu leito de dor e oração, teve uma visão de Nossa Senhora. Na visão, Maria lhe pedia para construir uma igreja nas ruínas da antiga igreja de Turim. Depois dessas visões, Arduino ficou curado.

Por isso, e como forma de agradecimento, ele começou a construção da igreja nova, como Nossa Senhora tinha pedido. Nas escavações das ruínas da antiga igreja, redescobriram milagrosamente o quadro de Nossa Senhora da Consolata. A imagem era como Nossa Senhora tinha aparecido para Arduino. Foi uma grande consolação para a igreja local.

Mais de 100 anos depois, uma nova guerra assolou a cidade de Turim e a igreja onde estava a imagem de Nossa Senhora da Consolata foi de novo destruída. E, mais uma vez, o quadro ficou escondido entre os entulhos por muitos anos. Novamente, todos pensaram que o quadro tinha sido destruído e isso foi causa de grande tristeza para o povo.

Maria, porém, interveio de novo, e de forma extraordinária. Em 1104, segundo a tradição, chegou a Turim, John Ravais, um homem cego de Briançon, França, que afirmava ter tido uma visão: enterrada sob as ruínas de uma velha igreja, vira uma pintura de Nossa Senhora. A Virgem revelou-lhe ainda que aquela capela localizava-se em Turim, na Itália. E a Virgem Maria prometeu devolver-lhe a visão se fosse a Turim visitar a sua capela que jazia em ruínas. Lutando contra muitas dificuldades o cego chegou a Turim. Com o apoio do bispo, deram início aos trabalhos da escavação no local indicado pelo cego conforme orientação de Nossa Senhora.

No dia 20 de Junho de 1104, o quadro da Consolata, ainda intato, foi reencontrado sob as ruínas. O cego, conduzido à presença do quadro, recuperou instantaneamente a visão. Este episódio consolidou na alma do povo de Turim a devoção para com Nossa Senhora Consolata. A partir destes fatos a devoção espalhou-se pelo mundo e o Santuário de Turim tornou-se um grande centro de peregrinação.

A Basílica da Consolata em Turim

No coração desta devoção encontra-se a Basílica de Nossa Senhora da Consolata, construída no local onde se conservava a imagem. O santuário, cuja origem data do século XI, foi mais tarde remodelado por grandes arquitetos e artistas italianos, tornando-se num dos centros marianos mais importantes do norte de Itália.

A basílica não é apenas um monumento artístico, mas sobretudo um espaço de oração viva, onde multidões de peregrinos procuram conforto espiritual. Ao longo dos séculos, muitos milagres e graças foram atribuídos à intercessão da Consolata, reforçando a sua fama de Mãe que não abandona os filhos.

O significado do título “Consolata”

Chamar Maria de Consolata é reconhecer nela a Mãe que consola e fortalece nos momentos de dor, incerteza ou angústia. Tal como esteve junto da Cruz do seu Filho, Maria permanece junto de cada cristão, oferecendo amor e esperança.

O título recorda também as palavras de São Paulo, que apresenta Deus como “o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação” (2 Cor 1,3). Maria, como Mãe, torna-se reflexo desse consolo divino, canalizando ternura e amparo para o coração dos fiéis.

A Consolata e a história da missão

A devoção à Consolata ultrapassou as fronteiras da Itália, sobretudo graças à fundação, no século XIX, dos Missionários e Missionárias da Consolata, congregações religiosas dedicadas à evangelização.

Inspirados por esta espiritualidade, partiram em missão para a África, América Latina e Ásia, levando não só a fé, mas também educação, saúde e obras sociais. A figura de Nossa Senhora da Consolata tornou-se, assim, padroeira de um vasto esforço missionário, símbolo de esperança para os povos que recebiam o Evangelho.

Festa litúrgica

A Igreja celebra Nossa Senhora da Consolata a 20 de junho. Nesta data, de modo especial em Turim, da qual é padroeira, os fiéis enchem a basílica e as ruas vizinhas com procissões, cantos e orações, num testemunho vivo de fé mariana.

Em várias dioceses e países onde a devoção se enraizou, esta festa é ocasião de renovar a confiança em Maria e de pedir-lhe o dom da verdadeira consolação: a presença de Cristo ressuscitado na vida de cada um.

Conclusão

Nossa Senhora da Consolata é um ícone vivo da ternura de Deus. A sua presença na história da Igreja lembra-nos que a Mãe do Senhor continua a velar pelos seus filhos, oferecendo amparo, paz e coragem.

Confiar-se a Nossa Senhora da Consolata é abrir o coração a esse amor materno que consola sem limites, e que conduz sempre a Cristo, fonte de toda a alegria e esperança.

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