Neste dia, em 1811, o Papa Pio VII supostamente levitou quando presidia a uma missa

Entre os relatos de figuras papais, poucos são tão dramáticos quanto o período de cativeiro do Papa Pio VII (1800–1823) às mãos de Napoleão Bonaparte. O momento de maior intensidade mística desse período é narrado numa tradição popular: o suposto milagre da levitação do Papa Pio VII durante a missa da Assunção de Maria, a 15 de agosto de 1811.

Embora este evento não seja um dogma de fé universalmente reconhecido ou registado em todos os anais históricos seculares, é uma história profundamente enraizada na piedade católica, que ilustra a crença na intervenção divina em tempos de grande tribulação.

O Papa Prisioneiro

Pio VII, nascido Barnaba Chiaramonti, enfrentou o poder avassalador de Napoleão, que pretendia submeter a Igreja ao controlo do Estado francês. A recusa do Papa em ceder a autoridade temporal levou à sua prisão em 1809. Foi mantido em cativeiro, primeiro em Savona, na Ligúria italiana, e depois em Fontainebleau, França, durante cinco longos anos.

Foi durante este período de isolamento e sofrimento que a fé do Papa e a crença nos prodígios se intensificaram.

15 de Agosto de 1811: O Dia do Prodígio

A história centra-se na Festa da Assunção de Maria, uma data de grande significado mariano e um dia em que o Papa, apesar de prisioneiro, pôde celebrar a Missa.

Segundo relatos que circulam em fontes devocionais e biográficas mais místicas, enquanto o Papa celebrava o Santo Sacrifício na capela da fortaleza de Savona, algo extraordinário aconteceu. Testemunhas presentes — que, segundo a tradição, incluíam os guardas franceses céticos designados para vigiá-lo — relataram que, durante a consagração ou num momento de profundo êxtase, Pio VII perdeu o contacto com o chão.

O Papa terá entrado num transe profundo e levitado de forma notória, sendo atraído em direção ao altar, num aparente estado de união mística com Deus. O fenómeno, descrito como inspirador e assustador, deixou os presentes perplexos e, segundo algumas narrativas, converteu os guardas ao catolicismo ou, pelo menos, incutiu neles um profundo respeito pelo prisioneiro.

A Distinção Entre História e Milagre

É importante notar que este evento da levitação não é registado nos principais documentos históricos da época com o mesmo nível de certeza que a sua prisão ou libertação. A narrativa da levitação enquadra-se frequentemente na categoria de “tradições pias” ou “revelações privadas”, que servem para inspirar a fé, mas não são consideradas matéria de fé obrigatória para os católicos.

O “milagre” mais amplamente aceite e comemorado pela Igreja associado a Pio VII e à data da Assunção é, de facto, a sua libertação em 1814. A libertação do Papa e a subsequente queda de Napoleão foram vistas como um sinal claro da proteção divina e da intercessão de Nossa Senhora sobre o papado e a Igreja universal.

Legado da Narrativa

A história da levitação do Papa Pio VII perdura como um símbolo poderoso. Independentemente da veracidade histórica literal, o relato serve como uma metáfora da força espiritual do Papa frente à força bruta do Império Francês.

A tradição recorda aos fiéis que, mesmo nos momentos de maior fraqueza terrena e cativeiro físico, a ligação entre o homem de fé e o divino pode manifestar-se de formas que desafiam as leis naturais, elevando (literalmente, neste caso) a dignidade do Vigário de Cristo acima da autoridade do imperador.

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