Porque o verdadeiro cristão não deve acreditar em previsões nem em adivinhações

Com a chegada de um novo ano, multiplicam-se previsões, horóscopos, leituras de cartas, promessas de sorte ou azar, e todo o tipo de “adivinhações” sobre o futuro. Muitos encaram estas práticas como simples curiosidade ou entretenimento, mas para o cristão a questão é mais profunda: a fé cristã afirma claramente que só Deus conhece o futuro e que confiar noutras fontes é incompatível com uma confiança plena n’Ele.

Apenas Deus é Senhor do tempo e da história

A Sagrada Escritura afirma claramente que o futuro pertence a Deus. O profeta Isaías põe na boca do Senhor estas palavras:
«Eu sou Deus, e não há outro; anuncio o fim desde o princípio e, desde o passado, o que ainda não aconteceu» (Is 46, 9–10).

Ele é o Senhor do tempo, do presente e do amanhã. Aquilo que ainda não aconteceu é já conhecido por Deus, não como destino cego, mas como parte de um plano de amor e salvação.

Quando o cristão procura previsões ou adivinhações, corre o risco de substituir a confiança em Deus por uma falsa segurança. Mesmo quando feitas “por brincadeira”, estas práticas insinuam que há forças que conhecem ou controlam o futuro fora da vontade divina, o que contradiz a fé cristã.

A posição clara da Igreja

A Igreja Católica ensina, de forma inequívoca, que as práticas de adivinhação são incompatíveis com a fé cristã. O Catecismo afirma:
«Devem rejeitar-se todas as formas de adivinhação: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas que se supõem falsamente desvendar o futuro» (CIC, 2116).

O Catecismo ensina que todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas, incluindo horóscopos, astrologia, cartomancia, leitura de mãos, consultas a médiuns ou qualquer tentativa de desvendar o futuro por meios ocultos. Estas práticas não são neutras: exprimem um desejo de poder sobre o tempo e sobre os acontecimentos que não pertence ao ser humano.

Mais do que uma simples proibição, a Igreja faz um convite à liberdade interior. Quem se entrega a previsões vive frequentemente prisioneiro do medo, da ansiedade ou de uma falsa expectativa. Quem confia em Deus vive na esperança.

O futuro não é uma ameaça, mas uma promessa

A Sagrada Escritura recorda-nos:
«Entregai ao Senhor as vossas preocupações, e Ele vos sustentará» (Sl 55, 23).

Para o cristão, o futuro não é algo a temer ou a decifrar, mas algo a entregar a Deus. A fé não nos dá um mapa detalhado do que vai acontecer, mas dá-nos algo muito mais seguro: a certeza de que Deus caminha connosco, aconteça o que acontecer.

Cristo nunca prometeu uma vida sem dificuldades, mas garantiu a Sua presença. Por isso, o cristão não precisa de saber o que o amanhã trará; precisa apenas de saber em Quem confia.

Ano novo: tempo de confiança, não de superstição

Jesus nunca convidou os seus discípulos a saber o que lhes aconteceria, mas a segui-Lo. Disse-lhes simplesmente:
«Não vos preocupeis com o dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas próprias preocupações» (Mt 6, 34).

O início de um novo ano é um tempo privilegiado para renovar a fé, não para consultar previsões. Em vez de horóscopos e promessas ilusórias, a Igreja propõe a oração, o exame de consciência, a participação nos sacramentos e a entrega confiante à providência divina.

Colocar o futuro nas mãos de Deus não significa passividade. Pelo contrário, significa viver cada dia com responsabilidade, discernimento e fidelidade ao Evangelho, sabendo que o resultado final não depende apenas de nós, mas da graça de Deus.

A verdadeira atitude cristã

O verdadeiro cristão não caminha guiado por previsões, mas pela esperança. Não vive preso ao medo do que pode acontecer, mas confiante naquele que venceu a morte. O caminho da fé não elimina a cruz, mas garante que nunca a carregamos sozinhos.

Rejeitar as adivinhações não é fechar os olhos ao futuro; é abrir o coração à providência de Deus. É escolher a confiança em vez da superstição, a fé em vez do medo.

Que, neste novo ano, possamos dizer com humildade e abandono:
“Senhor, o futuro está nas Tuas mãos. Eu confio.”

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