O quarto domingo do Advento marca a semana final deste tempo litúrgico, que culminará com o nascimento de Jesus

A quarta e última semana do Advento é um período de intensidade única. Com o Natal à porta, o foco da preparação litúrgica muda drasticamente, deixando de lado a expectativa distante para se concentrar na iminência da celebração e, centralmente, no tema do Amor de Deus que se manifesta na Encarnação de Jesus Cristo.

Esta semana é muitas vezes a mais curta do Advento, começando no quarto domingo e terminando na véspera ou no dia de Natal, dependendo do ano. Concentra uma profundidade teológica e uma urgência que culminam na solenidade do nascimento do Senhor.

O Tema Central: O Amor Encarnado

Após a esperança (primeira semana), a paz (segunda semana) e a alegria (terceira semana), a quarta semana sintetiza estes temas na virtude teologal fundamental: o Amor (caritas ou agape). A Encarnação é a prova suprema e o mistério do amor incondicional de Deus pela humanidade. “Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho unigénito” (João 3, 16).

Nesta semana, a liturgia convida os fiéis a meditar sobre a profundidade deste amor. Não é um amor abstrato, mas um amor que se faz carne, que assume a condição humana, a fragilidade e a mortalidade. A proximidade do Natal torna este amor tangível e imediato, desafiando os crentes a responderem a este amor com as suas próprias vidas.

O Foco em Maria e José

Ao contrário das semanas anteriores, onde as figuras proféticas (Isaías) e os precursores (João Batista) dominaram as leituras, a quarta semana do Advento centra-se inteiramente nas figuras de Maria e José. Eles são os protagonistas humanos do mistério da Encarnação, e os Evangelhos meditam sobre a sua fé, obediência e disponibilidade:

  • Fiat de Maria: A liturgia frequentemente recorda o fiat (“faça-se”) de Maria no momento da Anunciação. A sua aceitação humilde e corajosa da vontade de Deus é o modelo de como a humanidade deve acolher o amor divino. Maria é o ícone da Igreja expectante e obediente.
  • A Justiça de José: A figura de São José, muitas vezes silenciosa nos Evangelhos, é destacada pelo seu papel de guardião, protetor e pai adotivo de Jesus. A sua “justiça” (no sentido bíblico de retidão e santidade) manifesta-se na sua obediência aos desígnios de Deus revelados em sonhos, e no seu cuidado amoroso por Maria e pelo Menino.

As histórias de Maria e José oferecem exemplos concretos de como viver o amor de Deus no meio das circunstâncias difíceis e inesperadas da vida.

Símbolos e Práticas da Semana

A vivência da quarta semana do Advento é marcada por uma mistura de sobriedade e expectativa jubilosa:

  • A Cor Litúrgica: A cor roxa (violeta) é retomada nesta semana. Apesar da iminência da festa, a Igreja mantém o tom de preparação penitencial e sobriedade até o momento exato da Véspera de Natal.
  • A Quarta Vela (Vela do Amor ou dos Anjos): A última vela a ser acesa na Coroa do Advento é a vela roxa final (ou às vezes branca, dependendo da tradição). Esta vela simboliza o Amor de Deus. Ao ser acesa, a coroa fica totalmente iluminada, um sinal visual poderoso de que a escuridão do mundo está prestes a ser vencida pela Luz de Cristo.

A Urgência da Espera e a Vida Familiar

A brevidade da quarta semana do Advento introduz um senso de urgência na preparação. As orações e a liturgia exortam os fiéis a darem os “últimos retoques” na sua preparação espiritual:

  • Oração Focalizada: A oração nesta semana torna-se mais íntima, focada na Sagrada Família e no mistério do presépio. As “Antífonas Maiores do Ó” (que começam a 17 de dezembro e continuam até 23 de dezembro, com invocações a Cristo: Ó Sabedoria, Ó Adonai, etc.) são rezas solenes que intensificam a expectativa.
  • Caridade Concreta: O tema do amor desafia os fiéis a gestos concretos de caridade e reconciliação antes da noite de Natal. Perdoar, ajudar um vizinho, oferecer um sorriso — são formas de “preparar o caminho” para o amor que está a chegar.
  • Foco na Família: A iminência do Natal reforça o aspeto familiar da celebração. A quarta semana é um tempo para valorizar a família como a “igreja doméstica”, onde o amor de Deus se manifesta nas relações quotidianas.

Conclusão: O Amor Chega ao Lar

A quarta semana do Advento é a consumação de uma jornada de quatro semanas. É o momento em que a esperança, a paz e a alegria convergem no Amor que está para nascer. A liturgia, ao focar-se em Maria, José e no iminente nascimento, lembra-nos que a fé se faz vida em realidades simples e quotidianas.

Nesta semana final, a Igreja, como Maria, está em vias de dar à luz o Salvador. A espera transforma-se em acolhimento, e a preparação em celebração. O amor de Deus, que é eterno, está prestes a entrar no tempo humano, e a quarta semana do Advento é o último, e mais intenso, convite a abrir a porta do coração para O receber.

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