Hoje celebramos o Domingo de Páscoa, o dia da Ressurreição do Senhor

“Aleluia! Ressuscitou como disse!” Este é o grito que ecoa hoje em todos os cantos do mundo. O Domingo de Páscoa não é apenas o encerramento da Semana Santa; é o centro de gravidade de toda a história da humanidade. Se a Sexta-Feira foi o dia da dor e o Sábado o do silêncio, o Domingo é o dia da vitória definitiva. A morte foi vencida, o pecado foi perdoado e o Céu foi aberto para todos nós.

O Túmulo Vazio: O Sinal da Nova Aliança

O relato evangélico deste dia (João 20, 1-9) começa de madrugada, “quando ainda estava escuro”. Maria Madalena vai ao sepulcro e encontra a pedra removida. Ela corre a avisar Pedro e João. O túmulo vazio é o primeiro sinal físico da Ressurreição.

Ao contrário dos heróis de outras histórias, Jesus não deixou um monumento fúnebre para ser visitado; deixou um espaço vazio, porque Ele está vivo. Para o cristão, a Páscoa (que significa “Passagem”) é a certeza de que a nossa vida não caminha para o nada, mas para um encontro eterno com o Criador.

A Alegria da Ressurreição na Liturgia

A Missa do Domingo de Páscoa é banhada de luz e cor branca. Onde antes havia sobriedade, agora há flores, incenso e o som festivo dos sinos e do órgão.

  • O Círio Pascal: Ocupa o lugar de honra junto ao ambão, lembrando-nos que Cristo é a Luz que ilumina as nossas trevas.
  • A Sequência Pascal: Um hino medieval belíssimo (“À Vítima Pascal ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor”) que narra o duelo entre a vida e a morte, declarando que o “Autor da vida, depois de morto, reina vivo”.
  • A Renovação das Promessas: Mesmo para quem não esteve na Vigília, o Domingo de Páscoa convida a renunciar ao homem velho e a assumir a identidade de “filho da luz”.

Tradições de Fé: O Compasso e o Folar

A Páscoa tem um rosto comunitário muito forte. A tradição do Compasso Pascal (ou Visita Pascal) leva a alegria da Ressurreição a cada casa. O som da sineta anuncia a chegada do “Senhor Ressuscitado”, cruz de prata em punho, para abençoar as famílias.

É o dia do banquete, do cabrito, do folar e das amêndoas. Estes elementos não são meramente gastronómicos; simbolizam a partilha e a doçura da vida nova que Cristo nos trouxe. O “Folar da Páscoa”, com o seu ovo cozido no centro, é um símbolo antiquíssimo da vida que rompe a casca da morte.

Reflexão

A Páscoa não pode ser apenas uma data no calendário; tem de ser um estado de espírito. Se Cristo ressuscitou, nada mais nos pode roubar a esperança.

  • Quais são os “sepulcros” na nossa vida que precisam de ser abertos?
  • Que pedras de mágoa, vício ou desespero precisam de ser removidas hoje?

Viver a Páscoa é ser testemunha da alegria. Num mundo frequentemente marcado pelo pessimismo e pela violência, o cristão é aquele que aponta para a luz e diz: “Ele está vivo!”.

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