A Igreja celebra hoje a Segunda-feira do Anjo

A celebração da Páscoa não se encerra com o Domingo da Ressurreição. Para a Igreja, a alegria da vitória de Cristo sobre a morte é tão transbordante que não cabe num único dia. Por isso, entramos na Oitava de Páscoa, oito dias que vivemos como se fossem um único e solene Domingo. No coração desta oitava surge a Segunda-feira do Anjo, um dia que, embora muitas vezes vivido como um feriado de descanso ou de passeio em família, guarda um significado espiritual profundo que merece ser redescoberto.

O Anjo: A Primeira Voz da Boa Nova

O nome desta celebração provém de um episódio bíblico fundamental. Na manhã de Páscoa, quando as mulheres — Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago — se dirigiram ao sepulcro com aromas para ungir o corpo de Jesus, não encontraram o Senhor. Encontraram, sim, uma pedra removida e a presença de um mensageiro celeste.

Foi o Anjo quem primeiro pronunciou as palavras que mudariam o curso da história: «Não tenhais medo! Sei que buscais Jesus, o crucificado. Ele não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito» (Mt 28, 5-6). A Segunda-feira do Anjo recorda-nos que Deus utiliza os Seus mensageiros para nos despertar da tristeza e nos apontar para a Vida Nova. O anjo não apenas guarda o túmulo vazio, mas torna-se a testemunha da promessa cumprida.

A Tradição em Portugal: O Piquenique e o Encontro

Em Portugal, a Segunda-feira do Anjo é vivida com uma mistura única de devoção e convívio popular. Em muitas dioceses e paróquias, este é o dia por excelência para o “ir ao campo”. Esta tradição de realizar piqueniques e festas populares não é um mero evento social; ela simboliza a caminhada dos discípulos de Emaús.

Tal como os dois discípulos que caminhavam tristes e encontraram o Ressuscitado pelo caminho, o povo cristão sai à rua para celebrar a presença de Deus na Criação. O “quebrar do jejum” da Quaresma com o folar, o borrego e os doces tradicionais, partilhados em comunidade, é um reflexo do banquete eterno que a Páscoa nos promete. É um dia em que a fé sai das paredes das igrejas e ocupa os montes, as ermidas e os parques, lembrando que a Ressurreição santifica toda a realidade humana.

Do “Angelus” ao “Regina Coeli”

Um detalhe litúrgico importante que ganha força nesta segunda-feira é a mudança na oração mariana. Durante o Tempo Pascal, deixamos de rezar o Angelus (que recorda a Encarnação) e passamos a recitar o Regina Coeli (“Rainha do Céu”).

Nesta antífona, convidamos a Virgem Maria a alegrar-se porque Aquele que ela mereceu trazer no seu seio ressuscitou. Ao rezarmos o Regina Coeli, unimo-nos à alegria da Mãe de Deus e pedimos a sua intercessão para que possamos também nós alcançar as alegrias da vida eterna. É um convite a vivermos estes 50 dias pascais com um olhar de esperança renovada.

Um Convite à Missão

Celebrar a Segunda-feira do Anjo é, por fim, um apelo à missão. O anjo disse às mulheres: “Ide depressa dizer aos seus discípulos”. A alegria da Páscoa não é para ser guardada; é para ser partilhada.

Que este dia, entre o descanso e a festa, seja para cada um de nós uma oportunidade de ser, também nós, “anjos” — mensageiros — na vida de quem nos rodeia. Que possamos levar a luz do Ressuscitado àqueles que ainda vivem na “sexta-feira santa” da dor, do luto ou da solidão. A Páscoa continua, e o anúncio do anjo continua a ecoar: Ele vive!

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