Neste dia, em 2018, o Papa Francisco instituiu a memória obrigatória de “Maria, Mãe da Igreja”

No dia 3 de março de 2018, o Vaticano anunciou uma decisão que aprofundou a ligação entre a devoção mariana e a identidade da Igreja Católica. Através do decreto Ecclesia Mater, o Papa Francisco instituiu a memória obrigatória de “Maria, Mãe da Igreja”, a ser celebrada anualmente na segunda-feira após o Domingo de Pentecostes.

A escolha desta data não foi aleatória. Ao colocar a celebração imediatamente após o Pentecostes — o momento em que a Igreja nasce pela descida do Espírito Santo — Francisco sublinha que Maria estava presente no Cenáculo, orando com os Apóstolos. Ela, que deu à luz o Cristo (a Cabeça do Corpo), é também a mãe daqueles que formam o Seu Corpo Místico: a Igreja.

O Contexto Histórico e a Herança de Paulo VI

Embora a celebração litúrgica universal seja recente, o título “Mãe da Igreja” tem raízes profundas. Durante o Concílio Vaticano II, em 21 de novembro de 1964, o Papa Paulo VI proclamou solenemente Maria como “Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo cristão”.

O que o Papa Francisco fez em 2018 foi transformar esse título teológico numa prática devocional concreta para toda a Igreja Romana. O decreto assinado pelo Cardeal Robert Sarah, então Prefeito da Congregação para o Culto Divino, enfatizou que esta memória ajudaria a recordar que o crescimento da vida cristã deve estar ancorado no mistério da Cruz e na presença materna da Virgem.

O Significado Teológico e Pastoral

A introdução desta memória no Calendário Romano reflete a visão do Papa Francisco sobre uma Igreja mais maternal. Para o Pontífice, a Igreja não pode ser uma organização burocrática ou uma ONG; ela deve ter o “calor de uma mãe”.

Ao celebrar Maria como Mãe da Igreja, os fiéis são convidados a refletir sobre três dimensões principais:

  1. Maternidade Espiritual: Maria cuida dos discípulos de seu Filho com o mesmo zelo com que cuidou de Jesus.
  2. Unidade: Como uma mãe que une os seus filhos, Maria é um sinal de unidade para uma Igreja espalhada por todo o mundo.
  3. Modelo de Fé: Maria é o exemplo perfeito de como ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática, servindo de guia para a missão evangelizadora.

Impacto na Liturgia

Desde 21 de maio de 2018, data da primeira celebração oficial, todos os católicos do rito romano interrompem o “Tempo Comum” logo após o seu início (pós-Pentecostes) para honrar esta memória. As leituras litúrgicas para este dia costumam focar-se no relato do Gênesis (a vitória sobre a serpente) e no Evangelho de João, onde Jesus, do alto da Cruz, confia o discípulo amado a Maria: “Mulher, eis aí o teu filho”.

Com este gesto, o Papa Francisco garantiu que a figura de Maria não seja apenas uma recordação histórica, mas uma presença ativa que acompanha a Igreja na sua caminhada através da história.

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