A antífona Alma Redemptoris Mater (Santa Mãe do Redentor) é uma das quatro grandes antífonas marianas da Igreja, celebrada pela sua doçura poética e profundidade teológica. Embora a sua autoria seja tradicionalmente atribuída a Hermannus Contractus no século XI, foi a 24 de setembro de 1572 que a sua prática se consolidou na estrutura oficial da oração católica sob o pontificado do Papa Gregório XIII.
A Reforma de Gregório XIII e o Breviário
O ano de 1572 marca um período de organização e reforma após o Concílio de Trento. O Papa Gregório XIII, movido pelo desejo de padronizar a liturgia e fortalecer a devoção mariana, prescreveu o uso oficial desta antífona no Breviário Romano.
A decisão estabeleceu que o Alma Redemptoris Mater deveria ser rezado ou cantado obrigatoriamente no final das Completas (a última oração do dia), especificamente durante o tempo do Advento até à festa da Purificação de Nossa Senhora (Candelária, a 2 de fevereiro). Esta escolha sublinha o papel de Maria como a “porta do céu” por onde o Redentor entrou no mundo.
A Porta do Céu e a Estrela do Mar
O texto da oração descreve Maria com duas imagens poderosas: a Porta Aberta e a Estrela do Mar. No contexto de 1572, estas imagens ofereciam esperança a uma Europa em transformação, recordando aos fiéis que, mesmo na “queda” (o pecado ou as dificuldades da época), havia uma Mãe pronta a socorrer o “povo que cai e procura levantar-se”.
A Oração: Santa Mãe do Redentor
Abaixo, o texto prescrito por Gregório XIII para acompanhar o ciclo do Natal:
Em Português:
“Santa Mãe do Redentor, porta do céu sempre aberta,
estrela do mar, socorrei o povo que cai e procura levantar-se.
Vós que gerastes, com espanto da natureza, o vosso santo Criador,
Virgem antes e depois, acolhei o ‘Ave’ da boca de Gabriel,
e tende piedade dos pecadores.”
Em Latim:
“Alma Redemptoris Mater, quae pervia caeli porta manes,
et stella maris, succurre cadenti, surgere qui curat populo:
tu quae genuisti, natura mirante, tuum sanctum Genitorem,
Virgo prius ac posterius, Gabrielis ab ore sumens illud Ave,
peccatorum miserere.”
Esta prescrição de 1572 transformou um hino medieval num pilar da oração diária do clero e dos leigos, mantendo-se até hoje como a oração que prepara o coração para o mistério da Encarnação.
