Sabias que… a McDonald’s criou um menu de peixe por causa dos católicos?

Entre os muitos produtos icónicos da McDonald’s, o Filet-O-Fish ocupa um lugar singular. Discreto, simples e profundamente ligado a uma necessidade concreta, este hambúrguer de peixe não nasceu de uma estratégia de marketing sofisticada, mas de uma realidade cultural e religiosa muito específica. A sua história é um exemplo curioso de como a adaptação ao contexto pode gerar um produto global.

Porque surgiu o Filet-O-Fish?

O Filet-O-Fish nasceu no início da década de 1960, nos Estados Unidos, num contexto muito particular. Na altura, a McDonald’s estava a expandir-se rapidamente, mas algumas lojas enfrentavam um problema recorrente: às sextas-feiras, as vendas caíam drasticamente.

A razão era simples. Em muitas zonas dos EUA, especialmente de forte tradição católica, era comum não comer carne às sextas-feiras, em fidelidade à prática penitencial da Igreja. Como a McDonald’s vendia essencialmente hambúrgueres de carne, muitos clientes simplesmente deixavam de frequentar o restaurante nesse dia.

Quem criou o Filet-O-Fish?

O criador do Filet-O-Fish foi Lou Groen, proprietário de uma franquia da McDonald’s em Cincinnati, cidade com uma forte população católica. Preocupado com a quebra nas vendas semanais, Groen decidiu experimentar um hambúrguer de peixe, simples e acessível, que pudesse ser consumido nos dias de abstinência de carne.

Depois de alguma resistência inicial por parte da administração central, o produto foi testado e acabou por ser aprovado. Em 1962, o Filet-O-Fish entrou oficialmente no menu da McDonald’s.

O Filet-O-Fish distingue-se pela sua simplicidade:

  • filete de peixe empanado (tradicionalmente pescada ou peixe branco similar),
  • molho tártaro,
  • uma fatia de queijo,
  • pão macio.

Esta composição revelou-se eficaz não apenas junto de católicos, mas também junto de consumidores que procuravam uma alternativa mais leve ou simplesmente diferente da carne.

Impacto cultural e comercial

O impacto do Filet-O-Fish foi significativo. Para a McDonald’s, representou:

  • a primeira grande adaptação religiosa/cultural do menu,
  • a prova de que o menu podia (e devia) adaptar-se a hábitos locais,
  • a abertura de caminho para futuras variações regionais.

Mais do que um produto de nicho, o Filet-O-Fish tornou-se um símbolo de flexibilidade cultural, algo que ajudou a McDonald’s a consolidar a sua presença global.

Descontinuação: mito e realidade

Ao longo dos anos, surgiram vários rumores sobre a descontinuação do Filet-O-Fish. Em alguns países ou períodos específicos, o produto foi temporariamente retirado ou passou a estar disponível apenas de forma sazonal, geralmente por razões como:

  • menor procura face a outros produtos,
  • aumento do custo do peixe,
  • ajustes estratégicos do menu.

No entanto, o Filet-O-Fish nunca foi descontinuado a nível global. Continua a fazer parte do menu em muitos países, sendo especialmente promovido durante a Quaresma, mantendo a sua ligação histórica à tradição cristã.

História em Portugal e no Brasil

Brasil (McFish): O produto saiu do menu fixo em 2019 devido à baixa procura (estimava-se que apenas 2 em cada 400 pedidos eram McFish). Após uma forte mobilização nas redes sociais, o McDonald’s Brasil promoveu relançamentos temporários e limitados em 2024 para satisfazer o “fã clube” fervoroso.

Portugal: O Filet-O-Fish foi um item fixo durante décadas. No entanto, foi descontinuado devido a mudanças estratégicas na ementa. A decisão gerou petições públicas de clientes que pedem o seu regresso. Curiosamente, Portugal teve versões exclusivas como o McBacalhau, adaptando-se ao gosto local.

Um hambúrguer com história

O Filet-O-Fish é mais do que um simples hambúrguer de peixe. É um exemplo de como a religião, a cultura e a economia podem influenciar directamente a criação de um produto global. Nasceu de uma necessidade concreta, respondeu a um costume religioso e acabou por marcar a história da restauração rápida.

Mesmo num mundo em constante mudança, o Filet-O-Fish continua a recordar que, por vezes, as ideias mais simples são as que têm maior longevidade.

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