Neste dia, em 2019, o Papa Francisco visitava a Grande Mesquita do Xeique Zayed em Abu Dhabi

A visita histórica do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos (EAU) em fevereiro de 2019, a convite do Xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi, marcou um ponto de viragem nas relações entre o Cristianismo e o Islão. O ponto central desta viagem apostólica foi a assinatura do “Documento sobre a Fraternidade Humana pela Paz Mundial e a Coexistência Comum”, um texto inovador que apela a uma nova era de diálogo e paz.

Uma Visita sem Precedentes

A viagem, que ocorreu de 3 a 5 de fevereiro de 2019, foi a primeira vez que um Papa visitou a Península Arábica, o berço do Islão. Foi um gesto de grande ousadia diplomática e religiosa, sublinhando o compromisso do Papa com o diálogo inter-religioso.

Durante a sua estadia, o Papa Francisco participou em vários eventos, incluindo um encontro inter-religioso e a celebração de uma missa histórica no Estádio Zayed Sports City, a primeira missa papal em solo árabe, que reuniu cerca de 180.000 fiéis.

O Simbolismo da Grande Mesquita do Xeique Zayed

No dia 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco visitou a Grande Mesquita do Xeique Zayed, uma das maiores e mais impressionantes mesquitas do mundo. Acompanhado pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmed al-Tayeb, o Papa retirou os sapatos à entrada, num sinal de respeito pelo local sagrado.

O momento na mesquita foi de grande simbolismo, seguindo o precedente estabelecido pelo Papa João Paulo II na Mesquita Omíada em Damasco em 2001. Francisco e o Grande Imã trocaram gestos de amizade e diálogo, rezando em silêncio e sublinhando a importância do respeito mútuo e da cooperação entre as duas fés.

O “Documento sobre a Fraternidade Humana”

O ponto alto da visita foi a assinatura do “Documento sobre a Fraternidade Humana pela Paz Mundial e a Coexistência Comum”. Assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã Ahmed al-Tayeb durante o Encontro Inter-religioso, o texto é um poderoso manifesto moral e um apelo conjunto à paz.

O documento condena a violência em nome da religião, defende a liberdade de crença e expressão, e apela à proteção dos locais de culto. Proclama a necessidade de as religiões trabalharem em conjunto para combater o terrorismo, a guerra e a injustiça social. A frase mais marcante do documento afirma que o pluralismo e a diversidade de religiões são “uma sábia vontade divina”, uma declaração teológica que gerou um intenso debate, mas que sublinha a aceitação da diversidade como parte do plano de Deus.

Conclusão e Legado

A visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos e a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana representaram um avanço monumental no diálogo inter-religioso. O documento tem sido a base para a criação do Comité Superior da Fraternidade Humana e a instituição do Dia Internacional da Fraternidade Humana, celebrado a 4 de fevereiro de cada ano, conforme proclamado pela Organização das Nações Unidas.

Ao entrar na Grande Mesquita do Xeique Zayed e assinar este documento histórico, o Papa Francisco não apenas quebrou barreiras físicas e simbólicas, mas também ofereceu um novo caminho para a coexistência pacífica num mundo dilacerado por conflitos. A sua visita permanece como um farol de esperança e um modelo de como a liderança religiosa pode e deve promover a harmonia entre os povos, transformando o diálogo em ações concretas de paz e fraternidade.

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