Neste dia, em 1968, o Padre Pio realizava a sua última missa

A figura de Padre Pio (Francesco Forgione, 1887–1968) é uma das mais conhecidas e debatidas do cristianismo moderno: estigmatizado, confessor incansável, fundador do hospital Casa Sollievo della Sofferenza e centro de uma devoção mundial. O fim da sua vida concentra muitos símbolos do seu ministério: a intensidade eucarística, o sofrimento aceitado e a multidão de fiéis que o acompanhou até ao último suspiro. A sua última Missa, celebrada dias antes da morte, tornou-se um momento emblemático da sua entrega sacerdotal.

Contexto: saúde fragilizada e 50.º aniversário dos estigmas

Nas semanas que antecederam a sua morte, a saúde de Padre Pio era frágil. Em setembro de 1968 havia uma grande afluência de peregrinos a San Giovanni Rotondo — muitos vinham, precisamente, para a comemoração dos 50 anos do aparecimento dos estigmas, fenómeno que surgiu em setembro de 1918 (data tradicionalmente apontada: 20 de setembro de 1918). Essa efeméride trouxe um número extraordinário de devotos ao santuário, aumentando a solicitação pública sobre o frade já debilitado.

A última Missa: 22 de setembro de 1968

A última Missa celebrada por Padre Pio teve lugar no dia 22 de setembro de 1968. As testemunhas e a documentação fotográfica e cinematográfica confirmam que, apesar de muito cansado e de saúde evidentemente debilitada, o frade quis presidir a uma solenidade diante dos muitos peregrinos que se tinham concentrado em San Giovanni Rotondo por ocasião do quinquagésimo aniversário dos estigmas. Depois da Missa, Padre Pio apareceu extremamente exausto e precisou de apoio dos confrades ao descer do altar — foi, de facto, a sua última celebração da Eucaristia.

Na hora seguinte: bênção final e falecimento

Após essa Missa (22 de setembro), Padre Pio deu ainda uma bênção final aos fiéis. Na madrugada do dia 23 de setembro de 1968, por volta das 2h30, faleceu no seu quarto em San Giovanni Rotondo, repetindo nas últimas palavras a invocação que tantas vezes pronunciara: “Jesus, Maria!” A sua morte foi recebida por uma imensa afluência de fiéis: a procissão e as exéquias atraíram dezenas de milhares de peregrinos; estimativas contemporâneas referiram cerca de 100 000 pessoas no funeral (celebrado em 26 de setembro de 1968).

Curiosidades e factos confirmados

  • Data dos estigmas: o fenómeno dos estigmas de Padre Pio é tradicionalmente datado de 20 de setembro de 1918, e a Igreja e biógrafos assinalam esse episódio como início da notoriedade mística do frade.
  • Última Missa (22/09/1968): celebrado em contexto de grande peregrinação pelos 50 anos dos estigmas; existem filmagens e registos da cerimónia.
  • Morte (23/09/1968, ~02:30): falecimento confirmado e amplamente noticiado; funeral a 26 de setembro.
  • Stigmata pouco antes da morte: relatos contemporâneos e relatórios médicos referiram que os sinais visíveis dos estigmas tinham-se tornado menos evidentes nas últimas semanas de vida; na exumação de 2008 constatou-se ausência de feridas visíveis, mas estes factos são descritos com cautela e falou-se de alterações naturais do corpo pós-mortem.

Significado espiritual da última Missa

A última Missa de Padre Pio é recordada sobretudo pelo seu significado espiritual. Para quem o seguia, aquele gesto final — celebrar a Eucaristia apesar da fragilidade extrema — confirmou até ao último momento a sua identidade: sacerdote que se oferece com Cristo. Muitos fiéis interpretaram a cena como a consumação do seu ministério e um testemunho de que a Eucaristia era para Padre Pio o centro de toda a sua vida espiritual e apostólica.

Fontes e documentação visual

Existe filmagem e material fotográfico da Missa de 22 de setembro de 1968 (é possível encontrar excertos em arquivos e em vídeos públicos) e numerosos testemunhos escritos de confrades, médicos, jornalistas e peregrinos. Os relatos hagiográficos, a página oficial do santuário e obras de referência sobre Padre Pio reuniram estas memórias e dados cronológicos.

Conclusão

A última Missa de Padre Pio, celebrada em 22 de setembro de 1968, e o seu falecimento nas primeiras horas de 23 de setembro de 1968 encerram uma vida profundamente eucarística e penitencial. Para milhões de fiéis, aquela Missa é imagem do sacerdote que, até ao fim, se identifica com Cristo Sumo e Eterno Sacerdote. Mesmo para estudiosos e críticos, permanece um facto histórico: a presença extraordinária de peregrinos e a documentação fotográfica tornam esse momento um marco inegável na história recente da piedade católica.

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